Menu
Brasil

PF indicia 16 por queda de avião da Voepass em Vinhedo

Investigação aponta que a aeronave não tinha condições técnicas de voo e que houve orientação para não registrar falhas.

Redação Jornal de Brasília

06/08/2026 21h23

acidente aereo que envolveu aviao da voepass

© Secretária de Segurança de São Paulo/Divulgação

A Polícia Federal indiciou nesta quinta-feira (6) 16 pessoas por envolvimento na queda do avião da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo (SP), ocorrida em agosto de 2024. O acidente deixou 62 mortos, sem sobreviventes.

Segundo a PF, os indiciados são ligados à companhia, entre eles o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho. Quinze pessoas foram indiciadas por atentado contra a segurança do transporte aéreo, e uma foi indiciada por falsidade ideológica.

De acordo com a investigação, a aeronave, um ATR 72-500, não tinha condições técnicas de realizar o voo na situação em que foi submetida, sob formação de gelo severo e precipitações. A PF afirma que equipamentos imprescindíveis para essas condições, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisas, estavam inoperantes, mas ainda assim a empresa autorizou a decolagem.

Durante o voo, os pilotos teriam recebido avisos do sistema de segurança de que as condições estavam se deteriorando. Mesmo com os alertas sonoros e a lâmpada de “master caution”, segundo a polícia, não houve reação da tripulação.

A PF também informou que o avião já havia apresentado problemas semelhantes em voos anteriores e que, orientados pela empresa, os pilotos deixavam de reportar as falhas no relatório pós-voo para que a aeronave não ficasse impedida de continuar operando. Para a investigação, havia uma orientação da chefia dos pilotos e da direção de operações para que os problemas não fossem registrados.

Entre os indiciados por atentado contra a segurança do transporte aéreo estão, além do diretor-presidente da Voepass, o comandante do voo imediatamente anterior ao acidente, que teria entregue a aeronave sem reportar falhas; o mecânico que teria se omitido de realizar manutenção; o chefe do Centro de Controle de Manutenção (MCC); o inspetor técnico responsável pela manutenção perante a Anac; o diretor de manutenção; o gerente do Centro de Controle Operacional (CCO); o diretor do CCO; o diretor de operações; o chefe dos pilotos; e o diretor de segurança operacional.

A Justiça Federal decidiu que os indiciados não poderão deixar o país, ou terão de retornar ao Brasil caso estejam no exterior, enquanto o Ministério Público Federal analisa o inquérito e decide quem será denunciado.

A PF informou ainda que pediu o compartilhamento das informações da investigação com a Anac, para apurar administrativamente se houve falhas de servidores no processo de fiscalização da companhia, e também com a Procuradoria da República no Distrito Federal, onde fica a sede da agência.

Familiares das vítimas que estiveram na sede da PF em São Paulo classificaram como criminoso o modo de operação da empresa. Representantes da associação disseram que o grupo deve entrar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado