BRUNA FANTTI
FOLHAPRESS
O superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, delegado Fábio Galvão, classificou Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, como “o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho”. A declaração foi feita ao lado do secretário de Polícia Civil do estado, Felipe Curi, em vídeo divulgado pelas corporações nesta quinta-feira (26), após a operação que resultou na prisão do suspeito de ser líder da contravenção.
A reportagem enviou as declarações para a defesa de Adilsinho por mensagem de Whatsapp, mas não obteve posicionamento. O advogado Ricardo Braga também não atendeu às ligações. No início de fevereiro, quando a Justiça expediu um mandado de prisão por homicídio, o defensor disse que seu cliente desconhecia os fatos noticiados e que iria provar sua inocência.
Adilson foi preso na Região dos Lagos, em uma casa em Cabo Frio. Um policial militar, lotado na UPP do Complexo do Alemão, foi preso. Ele estaria fazendo a segurança de Adilsinho, segundo os investigadores.
Em nota, a corporação afirmou que “a Corregedoria-Geral da Corporação acompanha o caso e instaurará um Processo Administrativo Disciplinar (PAD)”.
Segundo Galvão, a proteção dada a Adilsinho por policiais corrompidos era o que dificultava sua prisão.
“Foi a terceira tentativa de prisão, muito dificultada pela proteção, sobretudo de policiais, de que goza principalmente a máfia do jogo do bicho. E hoje a gente conseguiu prender o mais sanguinário dos capos do jogo do bicho”, disse o superintendente.
A ação foi realizada no âmbito da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, que reúne as polícias Civil e Federal. Adilsinho foi monitorado por drone e preso após uma equipe pousar de helicóptero próximo à residência.
Veja abaixo o momento da prisão em Cabo Frio.
O superintendente destacou ainda que a investigação já havia levado ao fechamento de três fábricas clandestinas de cigarros, apontadas como uma das principais fontes de renda da estrutura criminosa, além da exploração de máquinas caça-níqueis e do jogo do bicho.
Em uma das fábricas, em julho de 2024, seis paraguaios foram resgatados em situação análoga à escravidão, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em depoimento, eles disseram que receberam uma proposta para trabalhar na fabricação de cigarros em São Paulo, mas foram vendados e levados ao galpão. Além disso, foram proibidos de sair do local e eram vigiados por um homem armado.
Com a chegada da polícia, afirmaram que sequer sabiam que não estavam em São Paulo. Eles voltaram ao país de origem.
No vídeo divulgado, o secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, listou crimes nos quais Adilsinho figura como investigado.
Curi disse que já existem três mandados de prisão por homicídio expedidos contra o contraventor, incluindo investigações relacionadas à morte de Marco Antônio Figueiredo Martins, conhecido como Marquinho Catiri, além de outros casos ligados à organização criminosa. Também mencionou a investigação sobre o assassinato do policial penal Bruno Killer, na qual Adilsinho já foi indiciado, segundo o secretário.
O secretário também citou que Adilsinho estaria envolvido no assassinato de um advogado, em fevereiro de 2024, morto perto da sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).