A “revolução sem precedentes” que a aplicação de novos materiais no desenvolvimento sustentável e na luta contra a pobreza representa para a ciência foi reconhecida hoje com o Prêmio Príncipe de Astúrias de Pesquisa Científica e Técnica para cinco pesquisadores que lideram este campo.
A candidatura vencedora é integrada pelo engenheiro americano Robert Langer e seus compatriotas químicos Tobin Marks e George M. Whitesides, diagnosis e pelos japoneses Sumio Iijima (físico) e Shuji Nakamura (engenheiro), e foi proposta pelo químico espanhol Amador Menéndez Velázquez, que fazia parte do júri.
A ata do júri destaca que os cinco cientistas premiados se transformaram em “referências universais” na Ciência de Materiais e Nanotecnologia.
Além disso, entre seus descobrimentos estão os nanotubos de carbono, os diodos emissores de luz (LEDs), biomateriais que possibilitam a liberação inteligente de medicamentos, a produção de tecidos e órgãos para transplantes e a fabricação de materiais em nanoescala e o desenvolvimento de novos plásticos e materiais recicláveis.
Segundo o júri, estas técnicas são “fundamentais para o desenvolvimento sustentável do planeta e para a luta contra a pobreza” e contribuem “decisivamente” para a poupança de energia e a utilização de novas fontes de energia.
Os novos conhecimentos básicos e as técnicas e descobertas realizadas por este grupo de cientistas, assim como as “fascinantes” tecnologias desenvolvidas por eles, estão impulsionando “uma revolução sem precedentes” e são “de transcendental importância para o progresso da humanidade”.
Para as últimas rodadas de votações do júri chegaram a microbióloga americana Rita R. Colwell, e os bioquímicos Erik de Clercq e Antonín Holý, respectivamente belga e tcheco, por suas descobertas sobre doenças virais como catapora e herpes.
Em 1993, Nakamura inventou os LEDs azul, verde e branco, assim como o laser azul, que quintuplica a capacidade de armazenamento de dados.
O LED é uma fonte luminosa de grande eficiência, longa vida e consumo reduzido em relação a outras lâmpadas, com potencial em áreas subdesenvolvidas sem fornecimento de energia elétrica. O físico Iijima descobriu, em 1991, os nanotubos de átomos de carbono.
Os nanotubos são as fibras mais resistentes conhecidas, pois são ultraleves e têm condutividade elétrica muito superior à do cobre, e podem revolucionar a eletrônica, a computação e o armazenamento de hidrogênio, e também podem ser aplicados na produção de cerâmicas, materiais magnéticos, na metalurgia, na eletrônica, na ótica e na biomedicina.
O americano Whitesides, professor do Departamento de Química Biológica da Universidade de Harvard (Estados Unidos), desenvolveu novos materiais e aplicações através do controle da matéria a escala nanométrica, como a litografia macia.
Seu compatriota Langer é catedrático do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e estudou novos sistemas inteligentes de administração de fármacos.
As pesquisas do químico Marks se concentram no uso de transistores invisíveis de alto rendimento que combinam material orgânico e inorgânico e que permitiriam a construção de telas de texto e imagens que poderiam ser projetadas sobre um pára-brisa, um óculos ou uma janela.
No ano passado, este prêmio foi dividido pelos pesquisadores Peter Lawrence e Ginés Morata. Em 2006, Juan Ignacio Cirac foi premiado. O prêmio, de 50 mil euros e uma reprodução de uma estatueta de Joan Miró, é o terceiro deste ano.
Já foram concedidos o Prêmio de Cooperação Internacional – a quatro organizações que lideram a luta contra a malária na África – e o de Artes – às Orquestras Juvenis e Infantis da Venezuela.