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Brasil

Pesquisa revela pouco conhecimento dos brasileiros sobre o Holocausto

Estudo indica que 59,3% já ouviram falar do genocídio, mas apenas metade o define corretamente, alertando para a banalização nas redes sociais.

Redação Jornal de Brasília

22/01/2026 19h06

Foto: Reprodução

Uma pesquisa lançada nesta quinta-feira (22), no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto de São Paulo, revelou fragilidades no conhecimento dos brasileiros sobre o Holocausto. O estudo, intitulado ‘Conhecimento sobre o Holocausto no Brasil’, mostrou que 59,3% dos entrevistados já ouviram falar do tema, mas somente 53,2% conseguiram defini-lo corretamente. Além disso, apenas 38% reconheceram Auschwitz-Birkenau como um campo de concentração e extermínio de judeus.

A pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo Ispo a pedido da Confederação Israelita do Brasil (Conib), do Memorial do Holocausto de São Paulo, do Museu do Holocausto de Curitiba e da StandWithUs Brasil. Realizada entre abril e outubro do ano passado, ouviu 7.762 pessoas em 11 regiões metropolitanas do país, excluindo o Norte. Os resultados serão expandidos para outras áreas, incluindo cidades do Norte.

Para ilustrar a gravidade do Holocausto, o lançamento contou com o depoimento de Hannah Charlier, de 83 anos, sobrevivente belga nascida em 1944. Filha de judeus resistentes, ela nasceu na prisão e sobreviveu milagrosamente após o fuzilamento de sua mãe, sendo resgatada por um oficial alemão e adotada por um casal que imigrou para o Brasil. O Holocausto, definido pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos como a perseguição sistemática e o assassinato de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista e aliados, ocorreu entre 1933 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.

‘Sergio Napchan, diretor executivo da Conib, enfatizou que o Holocausto representa a maior tragédia do século 20, com um terço dos judeus europeus exterminados, além de outras vítimas como prisioneiros políticos, LGBTs e testemunhas de Jeová. Hana Nusbaum, gerente de Educação da StandWithUs Brasil, alertou para o risco de banalização do tema nas redes sociais e o consumo de conteúdo apologético ao nazismo por jovens, especialmente em um momento de ascensão de discursos de ódio.

A principal fonte de informação sobre o Holocausto é a escola (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%) e internet/redes sociais (12,5%). Museus e memoriais foram citados por apenas 1,7%, indicando baixo acesso a espaços de memória. Especialistas como Carlos Reiss, diretor do Museu do Holocausto de Curitiba, defenderam o papel dos museus na construção da memória e no combate a violências como racismo e homofobia.

A educação foi destacada como essencial para prevenir futuros genocídios e ‘vacinar’ contra o ódio, conforme relatos de sobreviventes como Gabriel Waldman. Napchan reforçou a premissa de ‘nunca mais’, afirmando que educar e marcar a memória é a contribuição coletiva para um mundo menos confuso.

O lançamento antecede o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro. Atos incluem uma cerimônia na Congregação Israelita Paulista no domingo (25), às 18h, e um encontro na Casa do Povo na segunda-feira (28), com a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, às 18h20.

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