Pelo terceiro ano consecutivo, a São Silvestre terá a participação de atletas de internos da Unidade Vila São Vicente da Febem, que a desde o dia o dia 24 de dezmebro passou a se chamar Fundação Centro de Atendimento Sócio-Educativo ao Adolescente (CASA).
Dessa vez, os dois jovens da Baixada, um de 17 e outro de 18 anos, terão a companhia da presidente da entidade, Berenice Giannella, que também correrá a prova. Durante o percurso de 15 quilômetros, os internos serão acompanhados pelos professores de Educação Física Paulo Sérgio Pires e Silvio Ferreira Jacinto, além do agente de apoio Ricardo Fongaro.
O diretor da Unidade, Luiz Ribeiro Lopez, conta que a iniciativa de preparar atletas para a São Silvestre começou há três anos, quando professores de educação física foram contratados pela Febem. “Comprei a idéia deles de preparar atletas. Depois, a promotoria conseguiu a liberação para que eles saíssem para correr e realizar alguns treinos”, comemora.
Durante todo o ano, o programa de treinamentos, que inclui corridas e exercícios físicos, é realizado por todos os internos. Quando uma competição se aproxima, aqueles com melhor desempenho no esporte são pré-selecionados e passam por avaliações dos funcionários levando em consideração o histórico pedagógico e comportamental.
A partir daí, os internos confirmados para as competições são liberados a treinar fora da Unidade, sempre acompanhados por um agente social e um professor de educação física. “Os dois que vão participar da São Silvestre, por exemplo, estão correndo quase todos os dias do último mês aqui na Baixada, fazendo um percurso parecido com a da prova”, explica o diretor.
Outros internos já tiveram a oportunidade de participar de outras provas de corrida, como a Maratona de São Paulo e a Meia-maratona do Rio de Janeiro. A Unidade também incentiva a prática de outros esportes como o futebol e basquete e formou um grupo de street dance que já fez apresentações em Campos do Jordão e Sorocaba.
“É muito legal eles retornarem e contarem para os outros meninos a experiência deles”, conta Lopez, que ainda destaca a consciência dos internos. “Imagina só numa São Silvestre com 10 mil pessoas a possibilidade que ele vê para fugir. Mas nunca tivemos problemas com isso. Pelo contrário. Quando eles terminam a prova e se perdem, ficam esperando os acompanhantes para voltar”, garante.
A Unidade, no entanto, não tem o objetive de formar atletas. “Temos pouco tempo para isso. Mostramos o caminho e torcemos que um dia apareça um atleta de ponta que passou aqui”, diz Lopez. “Mas um dos garotos da São Silvestre deste ano tem feito tempos muito bons para o tempo de preparação”, conta, orgulhoso.
Assim, os objetivos pretendidos por Lopez são simples. “Para vir a ser um esportista, tem que seguir regras, como a que drogas não combinam com o atleta. Trabalhamos com a auto-estima deles. Depositamos uma confiança para ele entender que pode voltar ao convívio da sociedade”, finaliza.