Com 14 equipes, nove a menos que na edição passada e sem saber o campeão de 2005, a edição 2006 do Campeonato Nacional masculino de basquete da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) começa neste domingo com dois jogos. Para os remanescentes, o torneio terá um peso especial no futuro da modalidade.
"O basquete tem que sair fortalecido ou vai ter problemas para o futuro", resume o argentino Enrique Barreras, o Quique, supervisor e responsável pela equipe do Ulbra/Torres. Tradicional patrocinador de esportes, com destaque para os times de futsal e vôlei e até mesmo uma equipe de futebol que disputa a primeira divisão do Campeonato Gaúcho, a universidade já começa a ficar com um pé atrás com a modalidade.
"Foi complicado, houve reitores que ficaram muito chateados (pela falta de definição do torneio anterior). E eles têm razão. A CBB tem sua razão, a Nossa Liga e os clubes também, mas quem coloca dinheiro são os patrocinadores", diz. Seria a última chance para o basquete? "Vamos tentar de novo para ver se dá certo, mas na Ulbra, com certeza, é a última chance", completa.
Candidato ao título da temporada passada, o Unimed/Franca retorna à disputa com o sabor amargo da frustração. "É muito desagradável (a indefinição). A gente espera que haja um fim, mas a vida continua e temos de tirar proveito do que aconteceu", avalia o técnico Hélio Rubens.
Solidário ao papel decisivo que a competição terá, ele destaca que a única alternativa é o basquete se reestruturar. "As equipes são a razão de ser de qualquer entidade. Pagam tudo e formam os jogadores para a seleção. A expectativa é que os clubes se unam e trabalhem em torno de seus interesses".
Tomando a Comissão Executiva – formada por representantes de várias equipes – como embrião, Hélio Rubens torce para a concretização de uma associação de clubes. "Independente de o campeonato estar em andamento ou não. Estamos muito atrás do restante do mundo. É preciso associação de técnicos, jogadores, árbitros… todos os segmentos precisam se organizar. O esporte competitivo não pode mais ficar concentrado".
O custo mais alto às agremiações é a dificuldade financeira, que acabou afastando muitos times do Nacional. São Paulo, por exemplo, que teria direito a seis vagas na competição, contará com apenas três representantes (além de Franca, Bandeirantes/Rio Claro e Paulistano/Dix Amico). Para um torneio que começou a ser planejado com a possibilidade de duas divisões tamanho seria o interesse, não deixa de ficar abaixo das expectativas.
Concorrentes fortes do estadual paulista como Conti/Assis, Uniara/Lupo/Araraquara e Winner/Limeira abriram mão do brasileiro por razões financeiras e de calendário. De olho nas contas, o presidente do Limeira, Cássio Roque, já havia deixado clara esta opção antes do encerramento das inscrições para o Nacional. Foi o mesmo com São Caetano e Pinheiros.
"Alguns clubes não teriam condições financeiras de arcar com duas competições simultâneas. Claro que os times precisam ter estrutura, mas também merecem receber alguma ajuda já que a entidade recebe dinheiro de patrocínios, do Governo (Lei Piva) e de contratos com a tevê", avalia Hélio Rubens. "Disputar dois torneios também é complicado e poderíamos ter um calendário melhor estruturado".
Para Quique, a estrutura atual da modalidade só complica mais a situação. "Sou o único (esporte bancado pela universidade), que nunca tenho orçamento definido antes. É absurdo".
Apesar do esvaziamento do torneio, a aposta é na manutenção da competitividade. "Gostaria muito que estas equipes (paulistas) estivessem presente e não só elas. Deveríamos ter um torneio com muitas divisões como é no mundo inteiro. Mas seguramente este será um campeonato de muito bom nível técnico", aposta Hélio Rubens.
A primeira amostra do que será o Nacional pode ser conferida neste domingo. A partir das 11 horas (horários de Brasília), Paulistano/Dix Amico recebe o Flamengo/Petrobras. Completando a programação, Joinville/FELEJ e Pitágoras/Minas Tênis jogam, às 15h50, em Santa Catarina. Os dois jogos terão transmissão pela Sportv.
Fora de quadra, contudo, a história não começou muito bem. Até a véspera do início, o departamento técnico ainda não divulgou a tabela do torneio e há equipes insatisfeitas com a possibilidade de ter de estrear antes das fases decisivas dos estaduais. Segundo a Confederação, o calendário deve ser anunciado nesta segunda-feira.