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Operação prende policiais suspeitos de ajudar maior milícia do Rio

Além disso, segundo as investigações, o grupo de Ecko mantinha uma aliança com traficantes da facção TCP

Por FolhaPress 20/05/2022 8h00

Matheus Rocha
Rio de Janeiro, RJ

Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público prendeu nesta nesta sexta-feira (20) agentes de segurança pública suspeitos de ajudar a maior milícia do estado.

Até o final da manhã, sete pessoas haviam sido presas, sendo cinco policiais penais e dois policiais militares. Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de prisão e 11 de busca e apreensão, inclusive na casa de uma delegada casada com um dos policiais penais que foram presos na ação desta sexta.

Segundo os investigadores, o agente usava a senha e o computador da delegada para monitorar viaturas e repassar informações sigilosas aos milicianos.

“Eram utilizados tanto a senha como o computador atribuído a ela”, diz a delegada Thainne Moraes, que investiga o caso, ponderando que é cedo para confirmar o envolvimento da mulher do policial penal com o esquema que ajudava os milicianos.

De acordo com a investigação, os criminosos recebiam informações sigilosas sobre investigações em andamento e qual era o posicionamento de viaturas durante operações. Em troca, os agentes recebiam dinheiro e presentes, como uniformes, peças táticas e armas de fogo.

A apuração também aponta que os agentes ajudavam os milicianos a se infiltrar em grupos de WhatsApp da polícia. Uma vez nesses canais, os criminosos conseguiam se antecipar a ações policiais e atrapalhá-las. De acordo com a Polícia Militar, os membros da corporação envolvidos serão submetidos a processo disciplinar e expulsão.

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Segundo o delegado Thiago Neves, as investigações começaram em abril do ano passado, depois da apreensão do celular de Francisco Anderson da Silva Costa, conhecido como Garça e um dos chefes do bando.

“A gente começou o trabalho em abril após a tentativa de prisão do Garça, que era uma das maiores lideranças de Santa Cruz. Mas na ação foram apreendidos cinco telefones. Após a quebra do sigilo telemático, começamos a investigação, que apontou o envolvimento de agentes públicos”, diz Neves, que é delegado titular da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas).

Embora Garça seja um dos alvos da operação desta sexta, a polícia acredita que ele tenha sido executado pela milícia. Segundo os investigadores, ele teria sido assassinado após entrar em atrito com Ecko, líder do grupo que foi morto em 12 de junho do ano passado em uma operação que tinha como objetivo capturá-lo após quatro anos de fuga.

Miliciano mais procurado no Rio à época, Wellington da Silva Braga, o Ecko, foi preso em Paciência, zona oeste do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, ele foi baleado, socorrido de helicóptero, mas morreu no hospital. Ele foi substituído no comado por seu irmão, Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho.

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A milícia se tornou a maior do Rio de Janeiro após ampliar o seu território com a absorção de outros grupos menores. Ecko intensificou essa expansão a partir de “franquias” do grupo criminoso na Baixada Fluminense.

Assim como outras milícias, o grupo obriga moradores de lugares pobres a contratarem serviços urbanos. Em 2015, a Polícia Civil estimava o lucro do grupo em R$ 1 milhão por mês com a exploração de serviços como segurança e ligações clandestinas de internet e TV a cabo em 12 bairros.

A quadrilha também invadiu conjuntos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, controlando quem ocupa os apartamentos.

Além disso, segundo as investigações, o grupo de Ecko mantinha uma aliança com traficantes da facção TCP (Terceiro Comando Puro). Os milicianos deixam os traficantes atuarem na favela, com a venda livre de drogas, mas exigem parte do lucro.

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