A Operação Overclean chegou à nona fase nesta terça-feira (13), com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão contra o deputado federal baiano Félix Mendonça Júnior (PDT), apontado como o principal alvo da etapa atual da investigação. As ações foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os mandados foram executados em Brasília, no Distrito Federal, e nos municípios baianos de Salvador, Vera Cruz e Mata de São João. Na capital baiana, a Polícia Federal esteve em um imóvel localizado no Corredor da Vitória, área nobre da cidade. Segundo a PF, todos os endereços alvos da operação possuem ligação direta com o parlamentar.
Em nota, a defesa de Félix Mendonça Jr. classificou as buscas como “estranhas” e afirmou não haver fatos novos que justifiquem as medidas. Os advogados também ressaltaram que, em diligências realizadas em 2025, nada de irregular teria sido encontrado.
A Operação Overclean investiga, há mais de um ano, a atuação de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, além de práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. Ao longo das fases anteriores, a PF realizou prisões e apreensões de valores e documentos em diversas regiões da Bahia e em outros estados.
A primeira fase foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024, quando 59 mandados judiciais foram cumpridos e 16 pessoas presas na Bahia, em São Paulo e em Goiás. Na ocasião, as investigações apontaram que servidores públicos favoreciam empresas previamente escolhidas em licitações, que posteriormente superfaturavam contratos para permitir o desvio de recursos públicos. À época, a polícia já identificava movimentações financeiras que chegavam a R$ 1,4 bilhão, principalmente em contratos vinculados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
Entre os presos na fase inicial estavam o empresário José Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo”, e o vereador Francisco Manoel do Nascimento Neto, o Francisquinho Nascimento, de Campo Formoso, flagrado jogando pela janela uma sacola com mais de R$ 220 mil em dinheiro.
A operação teve desdobramentos sucessivos. Na segunda fase, deflagrada 13 dias depois, foram presos o então vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Cafezeiro (Republicanos), e outras três pessoas. Na terceira fase, em abril do ano passado, novos mandados atingiram novamente o “rei do lixo” e o então secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral.
Na quarta fase, em junho, a PF apreendeu R$ 3,2 milhões guardados em um armário do ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho (PT), e passou a investigar também prefeitos de outros municípios baianos. Já na quinta fase, em julho, o foco recaiu sobre o uso irregular de emendas parlamentares, com alvos ligados ao entorno do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil).
A sexta fase, em outubro, mirou o deputado federal Dal Barreto (União Brasil), que teve o celular apreendido no Aeroporto Internacional de Salvador. Na sétima, prefeitos foram afastados e presos, e na oitava fase, no fim de outubro, mandados foram cumpridos fora da Bahia.
Nesta nona etapa, além das buscas, o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas, com o objetivo de interromper a movimentação de valores considerados ilícitos e garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. As investigações seguem em andamento.