O vírus A (H1N1) da gripe suína não surgiu de um laboratório, troche como tinha sugerido um cientista australiano, disse hoje o diretor-geral adjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS), Keiji Fukuda.
“Após vários dias de análise, podemos afirmar que o vírus apareceu de forma natural, e não em laboratório”, afirmou Fukuda durante entrevista coletiva.
“As evidências mais claras apontam que o vírus se originou na natureza”, acrescentou.
O diretor-geral adjunto explicou que a OMS tomou conhecimento, no último sábado, da teoria de que o vírus da gripe tinha sido originado de um erro humano em um laboratório.
No mesmo dia, a organização pôs sua rede de laboratórios em alerta. Após diversas análises, concluíram que tal hipótese não se sustentava.
Fukuda disse ter consciência de que o debate não vai terminar com esta conclusão da OMS, mas se mostrou “muito tranquilo, porque todos os testes realizados mostram que o vírus não surgiu em um laboratório”.
Além disso, o representante do órgão deixou claro que “não há informação suficiente para dizer onde nasceu o vírus, em que país ou em que região”.
Quanto à possibilidade de criar uma vacina para a gripe suína e deixar de produzir a da gripe comum, Fukuda contou que ocorreu hoje uma reunião entre Governos, a OMS e empresas do ramo farmacêutico para começar a discutir o assunto.
“Há muitos assuntos a serem levados em conta, como o fato de que a gripe comum mata a cada ano centenas de milhares de pessoas no mundo. Por outro lado, há também o risco de uma pandemia desta nova gripe”, disse o diretor adjunto.
Fukuda também falou sobre a reunião intergovernamental de amanhã sobre a troca e cessão de informações sobre vírus e os posteriores benefícios desta conduta.
O diretor explicou que é um assunto complicado que está em negociação há anos e que ainda não está resolvido.
Os Estados-membros da OMS têm que decidir se os países que compartilham um vírus poderão ficar isentos de pagar pelas patentes dos remédios ou vacinas que sejam desenvolvidos com base em tais organismos.
Os casos de contágios de gripe suína no mundo confirmados pela OMS aumentaram para 6.497, em 33 países.
Apesar do nome, a doença não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados.