A Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou hoje muito claro que a melamina “não tem nada o que fazer nos alimentos ou produtos lácteos, ed e muito menos no leite infantil”, diante dos milhares de casos de crianças intoxicadas na China por consumir leite em pó contaminado com essa substância.
A porta-voz da OMS, Fadela Chaib, disse que os adultos têm uma dieta variada, o que não é o caso das crianças pequenas, cuja alimentação se limita geralmente ao leite, o que pode explicar a elevada concentração de melamina em seus organismos.
Esta substância permite aumentar de maneira fictícia o nível de proteína no leite ao qual foi acrescentada água para aumentar o volume e que, como resultado disso, fez reduzir a concentração de proteína.
“A adição da melamina nos alimentos não é aprovada pela OMS, pela FAO (Fundo da ONU para a Agricultura e a Alimentação) nem pelo Codex Alimentarius”, principal órgão internacional que fixa os padrões de qualidade dos alimentos, disse Chaib.
Também não é aprovada por “nenhuma autoridade nacional”, acrescentou.
A multinacional Nestlé, com sede na Suíça, afirmou ontem que a melamina “é encontrada através da cadeia alimentar mundial em rastros minúsculos, que não representam nenhum risco para a saúde dos consumidores”.
No atual escândalo de intoxicação infantil, a melamina não foi encontrada só no leite em pó, mas também “em uma marca de sobremesa refrigerada à base de iogurte e em uma marca de bebida de café em lata” na China, revelou a OMS.
“Todos estes produtos foram muito provavelmente manufaturados utilizando ingredientes feitos a partir do leite contaminado”, disse.
Quatro crianças morreram intoxicadas na China, 12.900 estão hospitalizadas e 40 mil sob vigilância médica, disse a porta-voz da OMS, após reconhecer que ainda “desconhecemos a magnitude do problema”.
“Esperamos as respostas da China”, disse Chaib, acrescentando que cada vez mais famílias da zona rural na China estão tomando conhecimento do problema e levando os filhos ao médico para ver se consumiram melamina.