Menu
Brasil

Observatório do Clima alerta para projetos que ameaçam meio ambiente em 2026

Rede de organizações lança agenda identificando quase 50 propostas no Congresso com riscos socioambientais.

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 16h39

organizações socioambientais observatório do clima

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

A rede de organizações socioambientais Observatório do Clima lançou, nesta quarta-feira (4), a Agenda Legislativa 2026, que analisa principais propostas tramitando no Congresso Nacional e representam ameaça de dano socioambiental.

Conhecida como Pacote da Destruição, a agenda abrange quase 50 projetos de lei (PLs) e propostas de emenda à Constituição (PECs). De acordo com o documento, construído por 161 organizações sociais e institutos de pesquisa, mais de 75% dessas pautas negativas tiveram alguma movimentação ao longo de 2025.

Entre as propostas destacadas está o Marco Temporal (PEC 48/2023), que limita a demarcação de terras indígenas a áreas ocupadas ou em disputa em 5 de outubro de 1988. A medida foi aprovada pelo Senado em dezembro de 2025 e aguarda apreciação na Câmara dos Deputados.

Outros projetos incluem o PL 510/2021 e o PL 2633/2020, que flexibilizam normas de regularização fundiária e podem facilitar a grilagem de terras públicas, além do PL 2374/2020, que estende a regularização de reservas legais desmatadas de 2008 para 2012.

“O Congresso Nacional vem a cada ano fracionando o Pacote da Destruição em muitas proposições, com ataques permanentes à legislação que protege os direitos socioambientais e o clima”, destacou Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima.

Clarissa Presotti, especialista de Políticas Públicas do WWF-Brasil, alertou: “Os retrocessos recentes e os projetos em tramitação integram uma agenda estruturada de enfraquecimento da proteção ambiental, com redução de salvaguardas, fragilização do licenciamento e incentivo à grilagem de terras públicas. Em ano eleitoral, o risco é que esse processo avance de forma ainda mais acelerada.”

O objetivo da agenda é mobilizar a população para cobrar dos representantes no Congresso o bloqueio de retrocessos na legislação brasileira que representem riscos climáticos, sociais e jurídicos, especialmente para povos tradicionais e o meio ambiente.

O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, agradeceu a união dos setores sociais e enfatizou a necessidade de debater a agenda socioambiental na sociedade, tornando-a um tema permanente.

Já o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) considerou o documento fundamental para reunir esforços em pautas positivas contra a devastação ambiental e o colapso climático, revertendo percepções de que votações no Congresso vão contra interesses públicos.

*Com informações da Agência Brasil

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado