As obras de reconstrução do município fluminense de Angra dos Reis, afetado por fortes chuvas em janeiro e deslizamentos de terra que mataram mais de 50 pessoas, estão em ritmo normal. A informação foi dada pelo secretário municipal do Meio Ambiente, Marco Aurélio Vargas.
“São obras complexas, que requerem cuidado, porque são implantadas de acordo com os ensaios feitos para o reconhecimento do subsolo”, explicou. Parte da cidade está situada na Serra do Mar, o que torna a topologia de Angra complexa. “É um solo pluvial, misturando terra com diversos blocos de rocha de diâmetros variados. E existe uma percolação de água (deslocamento de água por meio do solo) muito forte. Se a gente não tiver cuidado, pode ocorrer outro acidente com a obra pronta”.
Para evitar que isso aconteça, as obras estão sendo executadas por empresas especializadas. O governo federal liberou R$ 80 milhões para a recuperação da cidade.
Desse total, R$ 50 milhões estão sendo aplicados na construção de moradias e R$ 30 milhões são direcionados a obras de contenção de encostas. Serão 800 unidades residenciais, cuja construção está em ritmo acelerado, disse o secretário. A ideia, frisou, é entregar a maior parte das moradias até dezembro deste ano para as famílias que perderam suas casas na tragédia de janeiro. O restante será entregue até fevereiro de 2011.
“Nós necessitamos de mais R$ 40 milhões para a complementação das obras que estão em execução”, destacou Vargas. Técnicos da Secretaria Estadual de Obras visitaram esta semana o município para conhecer o trabalho em andamento, visando a fazer um aditivo para liberar de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões.
O secretário informou que o governo de Angra vai fazer também, nos próximos dias, uma concorrência pública no valor de R$ 26 milhões para iníciar obras de contenção que não estavam inseridas nos recursos dos governos federal e estadual. Elas serão realizadas no Morro do Tatu, na entrada da cidade, onde serão demolidas 60 casas.
Marco Aurélio Vargas assegurou que as 800 moradias em construção vão contemplar todas as famílias que perderam suas casas com a enchente. No total, 690 casas foram demolidas em função dos deslizamentos de terra e outras foram interditadas até a conclusão das obras. “Eu tenho quase certeza de que essas 800 unidades residenciais vão contemplar todas as pessoas que perderam seus imóveis”.