São Roque de Minas (MG) – A proteção das nascentes que alimentam o rio São Francisco é o foco principal das obras de recuperação da estrada de acesso ao Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. As intervenções visam conter processos erosivos, evitar assoreamento e reduzir riscos de deslizamentos, contribuindo para a preservação dos recursos hídricos da região.
Nesta quarta-feira (8), uma equipe do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) visitou a Serra da Canastra para acompanhar a execução dos trabalhos. Os técnicos percorreram trechos da estrada no município de São Roque de Minas, avaliando os impactos das intervenções e sua efetividade na proteção dos mananciais.
O projeto abrange obras de infraestrutura em dois trechos da via principal de acesso ao parque, totalizando cerca de 9,6 quilômetros. As ações incluem serviços de pavimentação, drenagem e contenção de encostas, o que reduz o carreamento de sedimentos para os cursos d’água e previne a degradação ambiental.
Com investimento superior a R$ 51 milhões, a obra atingiu cerca de 50% de execução até o final de 2025, com trechos pavimentados e outros em fase de terraplanagem. A previsão de conclusão é abril de 2027. “A recuperação da estrada de acesso ao Parque Nacional da Canastra resolve um problema que se arrasta por vários anos. Essa obra vai interromper o processo erosivo instalado na região, evitar o aporte de sedimentos na região da nascente do São Francisco e facilitar o acesso da população ao parque, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico regional”, destacou o secretário Nacional de Segurança Hídrica do MIDR, Giuseppe Vieira.
A ação faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativas coordenadas pelo MIDR, por meio dos Comitês Gestores das Contas dos Programas de Revitalização dos Recursos Hídricos, destinadas à recuperação de bacias hidrográficas. Os recursos provêm do processo de desestatização da Eletrobras e priorizam o aumento da recarga hídrica e a redução de processos erosivos.
“Os comitês gestores, responsáveis por administrar recursos de programas de revitalização das bacias do São Francisco e do Parnaíba, elaboram planos que priorizam o aumento das vazões afluentes e a flexibilidade dos reservatórios. Nesse contexto, a recuperação de áreas degradadas permite que a água infiltre no solo, recarregando aquíferos e fortalecendo nascentes, tornando-as mais saudáveis e volumosas. Assim, o trabalho do comitê é pensar a bacia de forma integrada e promover ações que ampliem a disponibilidade hídrica como um todo”, explicou Ramile Soares, assessora técnica especializada na Secretaria Nacional de Segurança Hídrica (SNSH).
Além da obra na Serra da Canastra, a comitiva cumpre agenda em outras regiões de Minas Gerais para acompanhar a implantação de Unidades Demonstrativas de Recuperação de Nascentes (UDRNs) nas bacias dos rios Grande e Paranaíba. A iniciativa prevê a instalação de 200 unidades com técnicas de bioengenharia, regeneração ambiental e uso de tecnologias inovadoras, como inteligência artificial para monitoramento.