O presidente dos Estados Unidos, prostate Barack Obama, page endureceu hoje o tom ao falar dos acontecimentos recentes no Irã e se declarou “escandalizado e indignado”, view em uma coletiva de imprensa em que aproveitou para apontar o Brasil como exemplo diplomático na América Latina.
Obama, criticado até agora pelo que a oposição republicana considera uma resposta muito leve para violência do regime contra os manifestantes que pedem reformas, aproveitou esta terça-feira uma coletiva de imprensa, sua primeira sozinho em quase dois meses, para expressar sua “condenação enérgica” às ações “injustas” no Irã.
“Os EUA e a comunidade internacional estão consternados e escandalizados com as ameaças, as surras e os encarceramentos dos últimos dias”, disse Obama, em uma declaração inicial antes de responder perguntas da imprensa.
O presidente denunciou que membros do Governo iraniano acusam os EUA de instigar os protestos sobre o resultado das eleições como forma de evitar o debate sobre o futuro do país.
“As acusações são claramente falsas e absurdas. São uma tentativa óbvia de distrair o povo sobre o que está realmente acontecendo dentro das fronteiras do Irã”, disse Obama.
“O povo iraniano tem o direito universal de reunião e de livre expressão”, afirmou o presidente. “Se o Governo iraniano quer o respeito da comunidade internacional, deve respeitar esses direitos e prestar atenção na vontade de seu próprio povo”, completou.
Os manifestantes questionam o resultado das eleições, que segundo a versão oficial deram uma vitória clara ao atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad.
Até agora, os protestos e enfrentamentos custaram a vida de pelo menos 20 pessoas, de acordo com números oficiais.
O Conselho de Guardiães, órgão que precisa validar as eleições, descartou uma anulação do pleito, apesar de ter reconhecido que houve irregularidades em 50 cidades.
Na coletiva de imprensa, Obama defendeu a postura mantida até agora de não envolver os EUA no movimento interno gerado no Irã.
“O mais importante é que o Governo de Teerã perceba se conta com a legitimidade suficiente a olhos de seus próprios cidadãos, não aos olhos dos EUA”, assinalou.
“O Governo do Irã deve reconhecer que há um caminho pacífico para resolver o que está ocorrendo nesses dias”, indicou Obama.
O presidente se referiu também à morte da jovem que se tornou símbolo dos manifestantes, e afirmou: “Vimos mulheres valentes ir contra a brutalidade e as ameaças, e vimos a imagem dolorosa de uma mulher que agonizava nas ruas”, completou.
Obama também se referiu à economia e, embora tenha defendido Ben Bernanke à frente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), disse que a instituição poderia ter feito mais para prevenir a crise.
Ele defendeu a reforma financeira que quer iniciar, e que recebeu algumas críticas da oposição republicana por fortalecer os poderes de controle e supervisão com que conta agora o Fed.
“O importante não é se o Fed reforça ou não seus poderes, mas se é capaz de fazer mais para evitar os riscos sistêmicos que podem nos dirigir a outra crise”, afirmou.
Obama repassou também a relação com a América Latina e assegurou que busca estabelecer com todos os países da região o tipo de relações baseadas no respeito mútuo que mantém com Chile e Brasil.
Nesse sentido, o líder americano indicou que os EUA nem sempre estão de acordo com a política do Chile e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “tem uma orientação política muito diferente que a maioria dos americanos”.
Para Obama, porém, isso não excluiu o fato de que seu Governo mantém “uma boa relação de trabalho” com líderes dos dois países, o que apontou como “o caminho para outras nações” da região.
Na coletiva de imprensa, o presidente abordou também assuntos menos sérios e reconheceu que ainda fuma cigarro às vezes.
Obama assegurou que se encontra “95% curado” do vício, mas que em algumas ocasiões “caiu em tentação”.
Segundo o presidente americano, que durante a campanha eleitoral reconheceu em várias ocasiões como é difícil abandonar o hábito e recorreu aos chicletes de nicotina para não fumar, não é um viciado “constante” nem “diário”.