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Brasil

Nova rã-de-vidro é descrita no Cerrado goiano

A Vitreorana micaelae foi identificada em Luziânia (GO) e teve a publicação acompanhada de recomendação de status de Dados Insuficientes pela IUCN.

Redação Jornal de Brasília

23/09/2026 17h31

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Afonso Meneses/Divulgação

Uma nova espécie de rã-de-vidro foi descrita e recebeu o nome Vitreorana micaelae após ser localizada em Luziânia, no estado de Goiás. A descoberta foi resultado do trabalho integrado de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade de Brasília (UnB).

A pequena rã esverdeada e quase transparente chamou a atenção da equipe liderada pelo biólogo Wilian Vaz-Silva em matas de galeria que margeiam pequenos riachos afluentes do rio Corumbá, no Cerrado. Segundo os pesquisadores, a investigação avançou a partir da comparação com outros grupos de rãs-de-vidro, da análise do canto, de características morfológicas e de material genético.

De acordo com o estudo, a Vitreorana micaelae é a 11ª espécie do gênero rã-de-vidro. Destas, quatro ocorrem no Brasil, e esta é a segunda registrada apenas no Cerrado. Os autores apontam diferenças no material molecular, no canto, na forma da íris, na pigmentação dorsal e na morfologia, especialmente na região próxima à cloaca.

Os pesquisadores afirmam que a espécie é difícil de encontrar por causa dos hábitos. Ela canta no alto de árvores em barrancos inclinados na beira do rio e apenas quando está chovendo intensamente. O tamanho, de pouco mais de 2 centímetros, e a ocorrência dispersa dos indivíduos também dificultaram a associação a um nome popular já usado por comunidades locais.

Durante o estudo, a equipe também descreveu o processo reprodutivo da espécie como semelhante ao de outras do mesmo grupo. O casal deposita os ovos sobre folhas de árvores altas, o macho faz a guarda e, após a eclosão, os girinos caem no riacho abaixo, onde se enterram no sedimento.

Os pesquisadores lembram que registros feitos em 2013 na região do Cerrado podem ter sido interpretados como pertencentes à espécie Vitreorana eurygnatha. Segundo o relato, naquele momento os indivíduos foram identificados como uma espécie já descrita, sem que se percebesse tratar-se de uma espécie nova.

O estudo que descreve a espécie foi publicado na edição de setembro da revista ZooKeys e recomenda sua classificação, no sistema da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), como Dados Insuficientes (DD), devido à necessidade de mais informações sobre tamanho populacional e ameaças. Brandão afirmou ainda que uma nova localidade com presença da espécie já foi identificada no Cerrado, mas a informação ainda está em estudo e não foi publicada.

O nome da espécie homenageia a bióloga Micaela de Jolepian L. Vaz, esposa de Wilian Vaz-Silva, em referência à colaboração entre os cientistas envolvidos na pesquisa.

Os autores destacam que mudanças climáticas, alterações no regime hídrico, desmatamento e o represamento de rios para pequenas hidrelétricas representam ameaças aos habitats de anfíbios como a Vitreorana micaelae.

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