Menu
Brasil

Mundial: mais uma montanha a ser escalada pelo Brasil

Arquivo Geral

16/11/2006 0h00

Cinco Ligas Mundiais, um Campeonato Mundial e um título olímpico. Com esse retrospecto mais que respeitável nem é necessário entender muito de vôlei para colocar o Brasil como favorito absoluto ao título da edição 2006 do Mundial masculino, que começa na madrugada desta sexta-feira no Japão. Então, qual com que motivação a seleção nacional entra para a disputa?

Todas as possíveis. Pelo menos na visão do técnico Bernardinho, perseguidor implacável de recordes e mais recordes. “Talvez este seja o nosso momento mais difícil, a nossa maior montanha a ser escalada”, exagera o treinador, fazendo com que os outros títulos da equipe pareçam coisas de juvenis. Ciente disso, ele esclarece a frase e revela o espírito da competição. “A montanha mais íngreme é sempre a próxima, porque já passamos pela anterior. Essa é a mensagem que vai ser passada aos jogadores”, explica.

E os atletas parecem ter entendido o recado. “Cada competição fica mais difícil. Todos querem ganhar do Brasil. Tudo o que precisamos fazer é não perder para nós mesmos. O importante é pensar sempre no próximo jogo. Hoje só tenho Cuba na cabeça”, comenta o astro Giba, já de olho na estréia do Brasil, contra os caribenhos, às 3 horas da madrugada (de Brasília).

A situação do time Mundial é bem diferente da edição de quatro anos atrás, quando, apesar de respeitados, os brasileiros nem de longe contavam com o atual prestígio e temor dos adversários. “Hoje sofremos uma pressão que não existia na época”, explica Gustavo, uma dos jogadores mais experientes do grupo. “Temos uma responsabilidade maior e chegamos como favoritos. Mas sabemos que se não formos os melhores não ganharemos”, afirma.

Para Bernardinho, o nível do campeonato está bem mais alto agora. “Em 2002, eram apenas quatro equipes fortes: Brasil, Rússia, Sérvia e Itália. Depois, a França e a Polônia se inseriram neste grupo, assim como os Estados Unidos, que voltaram a crescer. E ainda tem a Bulgária, que conta com o Matey Kaziyski, o atacante mais forte do mundo, em minha opinião”, aponta.

O treinador exemplifica com os resultados da última Liga Mundial, quando alguns resultados surpreenderam a torcida. “O Japão ganhou da Sérvia, que quase ficou de fora das finais por conta deste resultado. Ou seja: mesmo essas equipes que a gente acha que está por baixo estão voltando”, afirmou.

Exatamente por isso, a primeira partida merece atenção especial da equipe nacional. Uma das equipes mais fortes do mundo nos anos 90, Cuba vem em franca queda na modalidade: sequer esteve nas Olimpíadas de Atenas e na última Liga Mundial não foi capaz de superar a Bulgária e passar às finais da competição.

“Cuba é um time muito forte fisicamente, tem alguns jogadores novos que não conhecemos. A escola cubana continua fabricando atletas numa velocidade impressionante. Saque muito forte, bloqueio pesado, ataque altíssimo… essas são as características do time de Cuba. Precisaremos ser consistentes, controlar bem o jogo e tentar não dar espaço para eles”, analisa Bernardinho.

Para o meio-de-rede Gustavo, que assim como Giba e Ricardinho esteve nos dois últimos Mundiais, o segredo é tentar evitar que os cubanos se empolguem com o jogo. “Temos de tentar controlá-los. Se fizerem duas boas jogadas, temos de marcá-los. É uma equipe de jogadores jovens, que vêm com uma vontade grande. Por serem inexperientes eles erram mais do que o normal e temos de nos aproveitar disso”, afirma.

Com relação aos últimos anos, poucas novidades marcam a convocação do time nacional. Dos 12 jogadores, apenas Samuel e Murilo podem ser considerados “novatos”. E nem tanto assim, já que defendem a seleção há pelo menos duas temporadas cada. Parte da renovação sutil que Bernardinho promove aos poucos, para não precisar sempre depender dos grandes nomes.

“Não é que o vôlei seja melhor, mas não vivemos apenas momentos de lampejo, de talentos individuais que surgem e vão. Li um livro um livro do Antonio Ermírio de Moares onde estava escrito: “Não adianta ser eficiente: tem que se manter eficiente”. É um pouco do que nós fazemos com a nossa equipe: não adianta a gente chegar no topo, mas sim se manter ali”, explica o treinador. “É um processo difícil porque o mundo todo está querendo tomar o seu mercado. O Brasil já vem sendo caçado pelos outros times”, finaliza.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado