Mulheres de Brasília relatam rotinas exaustivas agravadas pela escala de trabalho 6×1, que proporciona apenas um dia de folga por semana, somada às tarefas domésticas. Amanda, de 23 anos, acorda às 5h30 para preparar o café e ir à escola onde trabalha até as 15h. Ao retornar, cuida da casa, lava roupas e prepara refeições para economizar na faculdade, terminando o dia após as 22h30, quando volta das aulas noturnas. Casada e sem filhos, ela teme que a situação piore com a maternidade e vê na folga extra uma oportunidade para se cuidar e descansar.
Róssia, de 59 anos, aposentada e moradora da capital federal, descreve a mulher como detentora de ‘super tarefas’, incluindo levar o filho à faculdade e acompanhar a filha cega. Ela enfatiza a importância de dividir as tarefas com os homens para aliviar a sobrecarga e critica a escala 6×1 por adoecer as mulheres, especialmente em ciclos como gestação, maternidade e menopausa. Para ela, cuidar da mulher beneficia toda a família.
Marisa, de 45 anos, estudante de fisioterapia, alterna entre faxinas três dias por semana e estudos para conciliar com a vida familiar. Mãe de uma menina, lamenta não ver os filhos crescerem devido à rotina intensa e ao único domingo de folga dedicado à casa. Ela destaca a desvalorização das mulheres, incluindo diferenças salariais, e aspira à independência por mérito próprio.
O impacto da escala 6×1 no cotidiano feminino foi debatido na primeira edição do ‘Debate na Rua’, em Teresina (PI), como parte do programa Governo do Brasil na Rua, realizado na sexta-feira (6) e sábado (7). O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, esclareceu dúvidas sobre o projeto do presidente Lula para reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso. ‘Muita gente trabalha seis dias por semana e tem apenas um dia de descanso, e muitas vezes, principalmente as mulheres, ainda têm que trabalhar dentro de casa, cuidando dos filhos, arrumando, sem tempo para viver e curtir a família e um lazer’, afirmou Boulos.
Em resposta a uma pergunta de Dona Valdelice, preocupada com possível redução salarial, o ministro garantiu que não haverá descontos e que os dois dias de folga serão obrigatórios.
Com informações do Governo Federal