Entretanto, as mulheres que nunca fumaram têm mais chances de contrair a doença do que homens não-fumantes. Especialistas atribuem ao cigarro 90% dos casos de câncer de pulmão registrados nos Estado Unidos, mas, até agora, não se tinha certeza de se o fato de fumar deixava as mulheres mais suscetíveis à doença. Uma equipe dirigida por Neal Freedman, do National Cancer Institute, em Rockville, Maryland (EUA), se propôs a esclarecer o tema estudando os dados de cerca de 500 mil americanos de ambos os sexos. Os 279.214 homens e 184.623 mulheres estudados tinham idades de entre 50 e 71 anos e eram de oito estados americanos. Entre outras coisas, os especialistas perguntaram sobre sua dieta, quanto álcool ingeriam, quais exercícios físicos praticavam e se fumavam ou tinham fumado, e, em caso de resposta positiva, quantos cigarros por dia. Os pesquisadores descobriram que 1,47% dos homens e 1,21% das mulheres tinham sofrido de câncer. As mulheres que nunca tinham fumado demonstraram ter 1,3 vez mais chance de desenvolver um câncer de pulmão que os homens não-fumantes. O estudo reafirmou a forte associação entre o cigarro e esse tipo de câncer. Entre os que fumavam mais de dois maços por dia, o risco de câncer de pulmão era 50 vezes superior aos dos que nunca tinham fumado. As fumantes tinham apenas 0,9 vez menos probabilidades de desenvolver a doença que os homens que faziam um uso parecido do cigarro. Os especialistas estudaram também a incidência de diferentes tipos de câncer de pulmão e descobriram que entre os que nunca tinham fumado, os adenocarcinomas eram mais freqüentes entre as mulheres que entre os homens. No entanto, a incidência dos carcinomas escamosos de células pequenas era igual em ambos os sexos entre os não-fumantes. Entre os fumantes, a incidência dos tumores escamosos era o dobro entre os homens que nas mulheres, embora o risco fosse o mesmo no caso dos outros tumores.
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