Menu
Brasil

Mulher internada após banho em piscina de academia em SP recebe alta

Após quatro dias na UTI, aluna relata forte cheiro de cloro na aula em que professora morreu e pede justiça

Redação Jornal de Brasília

18/02/2026 10h57

mulher internada após banho em piscina de academia

Foto: Reprodução/TV Globo

UOL/FOLHAPRESS

Letícia Oliveira, 29, uma das pessoas que foi internada após tomar banho na piscina de uma academia na zona leste de São Paulo, recebeu alta nesta terça-feira (17).

Mulher estava com a filha na piscina e passou quatro dias internada na UTI após aula de natação. Ela estava na mesma piscina que Juliana Faustino, 27, que morreu, e falou sobre o assunto à TV Globo hoje.

Letícia lembrou que muitas crianças entraram na piscina no mesmo dia que Juliana e disse que ela e a filha poderiam ter morrido. “Poderia ter acontecido muito mais [mortes]”, afirmou.

“Eu estou muito grata que estou aqui hoje para contar essa história e pedir Justiça. Poderia ser minha filha, poderia ser eu. Poderia ser várias crianças que estavam naquela piscina naquele dia”, disse Letícia Oliveira, à TV Globo.

Marido de Juliana, Vinicius de Oliveira, 31, também recebeu alta nesta semana. O homem, que ficou internado em estado grave na UTI, saiu do hospital no domingo.

Juliana Faustino, 27, morreu após usar a piscina da C4 Gym e passar mal. O caso aconteceu no dia 7 de fevereiro na zona leste de São Paulo.

Câmeras de segurança gravaram o momento em que alunos saem da água. Juliana e o marido foram levados ao hospital, assim como outras cinco pessoas. Ele sobreviveu.

Academia não tinha alvará para funcionar, segundo a Polícia Civil. A instalação elétrica da piscina estava ligada à cozinha da academia e os produtos para limpeza da piscina também estavam em local inadequado, segundo os investigadores.

O QUE DIZ A ACADEMIA

Direção da Academia C4 Gym lamentou “profundamente” o ocorrido após a morte da professora.

Também informou que prestou “imediato atendimento a todos os envolvidos” e que tem mantido contato direto com as pessoas envolvidas a fim de oferecer todo o suporte.

“Assim que os alunos relataram odor forte na área da piscina, toda a academia foi evacuada e o SAMU e o Corpo de Bombeiros foram acionados. Devido à demora do SAMU, um dos atendentes da academia solicitou auxílio a uma viatura da GCM, que se dispôs a socorrer Juliana. Os policiais informaram que poderiam levá-la apenas ao hospital mais próximo, na Vila Alpina, mas os acompanhantes optaram por levá-la a uma unidade de seu plano de saúde, em Santo André”, disse a C4 Gym, em nota.

Celso, Cesar e Cezar foram indiciados por homicídio com dolo eventual, conforme apurou o UOL. O dolo eventual ocorre quando o investigado não deseja diretamente o resultado morte, mas assume o risco de produzi-lo ao adotar determinada conduta.

Pedido de prisão foi feito para “garantir o sucesso da investigação” e evitar interferências, esclareceu delegado. Defesa dos empresários enviou uma petição à Justiça “com esclarecimentos para que o pedido de prisão temporária não prospere”.

Apesar do indiciamento, nenhum dos sócios foi preso ainda. A Polícia Civil pediu a prisão deles ao judiciário, responsável por apreciar a solicitação, que negou a solicitação.

FUNCIONÁRIO AFIRMOU NÃO TER HABILITAÇÃO DE PISCINEIRO

Severino José da Silva, manobrista da academia, era o responsável pela limpeza da piscina. Ele contou que no dia da aula, preparou de seis a oito medidas de cloro para limpar piscina, fez o teste e enviou a foto para o dono da academia, que o orientou a usar o produto na piscina. Apesar disso, ele disse que não chegou a aplicar o produto, apenas preparou a solução.

Ele disse à polícia que não tinha formação para manusear produtos químicos e que o dono da academia sabia. Ele afirmou que assumiu a função da limpeza da piscina após o antigo manobrista sair da empresa.
O antigo funcionário repassou as instruções de que o procedimento consistia em medir os níveis da água e do cloro, fotografar o resultado e enviar a imagem diretamente ao supervisor técnico.

Polícia decidiu que Severino não responderá criminalmente pelo ocorrido. No entendimento da polícia, ele não cometeu crime. “O manobrista responsável pela limpeza deixou claro que a negligência no tratamento da piscina ‘é coisa corriqueira’ na academia”, afirmou o delegado Alexandre Bento.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado