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Brasil

MPSP processa empresas por coleta de íris em São Paulo

A ação pede suspensão das coletas, eliminação dos dados já obtidos e indenização coletiva de R$ 240 milhões.

Redação Jornal de Brasília

22/07/2026 12h43

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou nesta segunda-feira (21) uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda. por supostas irregularidades na coleta de dados biométricos de íris de consumidores paulistanos.

Na ação, a promotoria pede, em caráter liminar, a preservação de todos os dados, registros e metadados relacionados ao processamento dessas informações, além da apresentação de contratos e relatórios técnicos sobre o armazenamento. Também solicita a identificação da empresa do grupo Amazon responsável pela hospedagem dos dados e a suspensão de novas coletas de íris mediante qualquer tipo de pagamento ou benefício até a realização de perícia judicial.

Segundo o MPSP, a coleta era feita especialmente em pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com oferta de compensação financeira, e concentrada em regiões periféricas e de grande circulação, próximas a estações de metrô e unidades do Poupatempo. Para a promotora de Justiça Patrícia Leitão, o quadro caracteriza publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e vício no consentimento.

A ação também pede que as práticas sejam declaradas abusivas, que as rés sejam proibidas definitivamente de coletar dados biométricos de íris mediante contrapartida financeira, eliminem de forma irreversível os dados já coletados e indenizem a coletividade em ao menos R$ 240 milhões por danos morais, além de reparar os prejuízos individuais causados aos consumidores.

De acordo com a promotoria, a empresa manteve a prática por meio da concessão de benefícios internos no aplicativo World App mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão da oferta de criptomoedas ou de qualquer compensação financeira pela coleta da íris. O MPSP afirma ainda que os consumidores não receberam informações claras sobre a finalidade econômica do projeto, os riscos relacionados ao tratamento dos dados biométricos, a transferência para o exterior e a possibilidade de armazenamento dessas informações em servidores da Amazon Web Services.

A ação tem origem no relatório final da CPI da Íris, da Câmara Municipal de São Paulo, que investigou a atuação do Projeto World ID na capital paulista. Segundo a apuração, mais de 400 mil pessoas tiveram a íris escaneada em troca de recompensas financeiras que variavam entre R$ 300 e R$ 700.

Com informações da Agência Brasil

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