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Mortes por Covid-19 no Brasil passam a atingir mais os de 50 anos

Quinze meses depois do início da pandemia e com a marca de 500 mil mortos atingida, a doença está espalhada por outras faixas

Foto: Agência Brasil

Diana Yukari, Leonardo Diegues e Fábio Takahashi
São Paulo, SP

Idade avançada e cidades grandes eram as variáveis que mais concentravam óbitos no início da Covid-19 no Brasil. Quinze meses depois do início da pandemia e com a marca de 500 mil mortos atingida, a doença está espalhada por outras faixas, atingindo agora especialmente pessoas na casa entre 50 e 59 anos e cidades pequenas e médias.


A alteração no perfil de idade dos óbitos acompanhou o ritmo de vacinação, que começou em janeiro com a proteção dos mais velhos e que apenas mais recentemente começou a chegar à faixa dos 50 anos.


A mudança geográfica parece confirmar o temor de especialistas apresentado no início da pandemia de que equipamentos hospitalares mais escassos e precários fora dos grandes centros seriam um ponto crucial no combate ao vírus.


Também parece confirmar a preocupação dos epidemiologistas com a falta de barreiras de circulação de pessoas no país, que permitiram que o vírus se espalhasse facilmente a partir dos grandes centros (onde chegam voos internacionais, importante porta de entrada da doença, que foi identificada na China e atingiu a Europa na primeira etapa da pandemia).


Atualmente, 42% dos óbitos registrados são de pessoas que moram em cidades pequenas (de até 100 mil habitantes). Há um ano eram 21%. À época, o país tinha apenas 30 mil mortes oficiais pela Covid.


As cidades grandes, com mais de 1 milhão de moradores, passaram de 40% para 21% na participação dos óbitos no mesmo período.

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Das variáveis analisadas pela reportagem sobre o perfil das vítimas (idade, sexo, cor da pele, tipo de hospital de atendimento, tamanho da cidade e região do país), a faixa etária também contou com grande alteração ao longo da pandemia.


Em junho do ano passado, pessoas com mais de 70 anos representavam 56% do total de óbitos. No patamar acima de 80 anos, o percentual era de 28% (a maior faixa, considerando agrupamento a cada dez anos de idade).


Agora, as vítimas acima de 70 anos representam a metade do registrado em junho do ano passado. A faixa acima dos 80 anos passou a representar apenas 14% dos óbitos.


Considerando o agrupamento de dez em dez anos, a faixa em que há mais vítimas atualmente é a entre 50 e 59 (26% das mortes).

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A campanha de vacinação contra a Covid começou em janeiro, justamente pelos mais idosos. Atualmente, mais de 95% das pessoas acima dos 70 anos tomaram ao menos a primeira dose no país.


E menos de 10% daqueles entre 50 e 59 anos já receberam ao menos uma dose do imunizante –o percentual fica menor quanto mais jovem é a faixa etária.


A baixa cobertura vacinal de adultos mais jovens contrasta com o aumento de circulação de pessoas no país, o que facilita a circulação do vírus.


Segundo dados monitorados pelo Google, o movimento em locais de lazer e de compras hoje está 18% menor do que antes da pandemia. Esse percentual já foi de 76% de redução, em abril de 2020. A empresa de tecnologia monitora o deslocamento de aparelhos como celulares e tablets.

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Se considerados os óbitos nas regiões do país, é possível notar uma grande variação ao longo da pandemia.


O Sudeste concentra hoje cerca de 50% das mortes pelo vírus. É a pior área, mas esse percentual ficou na casa dos 70% nos primeiros meses da pandemia. O Nordeste tem atualmente 17% dos óbitos, mas chegou próximo a 40% em maio do ano passado.


O Norte, que tem hoje perto de 4%, foi a mais de 20% no começo deste ano, quando eclodiu a crise no Amazonas, onde faltou oxigênio para pacientes internados.

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O Sul teve dois picos de óbitos, em novembro de 2020 e março deste ano, quando concentrou mais de 25% das vítimas do país. Atualmente, o percentual ainda está próximo desses máximos, com 20%.

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No Centro-Oeste, agosto e setembro do ano passado foi o pior período na região, quando 17% das mortes do país estavam nessa área. Hoje são 9%.


Os dados utilizados pela reportagem para essa análise são do Ministério da Saúde, referentes ao período até o último dia 30 de maio (os dados posteriores a essa data ainda estão sujeitos a grandes mudanças).

As informações são da Folhapress






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