Faltam apenas dois dias. No próximo domingo, logo após o final do GP de Monza, tudo indica que a Ferrari dará uma bela festa. Na verdade, o resultado da prova pouco vai importar. O motivo? Desde o GP da Alemanha, no último mês julho, o heptacampeão mundial Michael Schumacher promete anunciar se vai ou não se aposentar após o pódio italiano.
A possível retirada de Schumacher é assunto que remete, no mínimo, à temporada 2004, quando ele ganhou seu último título. Desde então, os rumores aumentaram progressivamente até dividirem a atenção com a disputa do título deste ano, entre o próprio alemão e Fernando Alonso.
Dizendo-se apaixonado pela Fórmula 1 e com contrato com a Ferrari até o final de 2006, Schumacher passou 2005 insistentemente negando os boatos de que iria se aposentar no final daquele ano. A data estaria condicionada apenas à sua vontade de vencer. E ele cumpriu a promessa. Porém, o desempenho sofrível do time vermelho no campeonato que consagrou Fernando Alonso pode ter adiado os planos do competitivo alemão, que gostaria de sair deixando uma boa lembrança da atividade que o consagrou.
A volta por cima veio em 2006. Com um carro bem mais competitivo, Schumacher briga ponto a ponto com Alonso pelo troféu de campeão. Isso, somado à proximidade do final do acordo entre a Ferrari e o piloto, colocaram fogo nas especulações sobre o assunto.
As perguntas passaram a ser tantas que nos preparativos para o último GP da Alemanha, o heptacampeão fez a promessa. “Lá em Monza, as coisas estarão mais certas, então seremos mais claros. Vamos esperar”, afirmou. A imprensa européia, por sua vez, faz as suas apostas, assim como os dirigentes. Gerente financeiro da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, por exemplo, acredita em uma retirada, assim como Flavio Briatore, comandante da Renault.
Na verdade, Schumi dá sinais de ter demorado a se decidir. Em agosto, por exemplo, seu próprio pai, Rolf, deixou isso claro. “Ele (Michael) ainda não se decidiu se continua ou não. Sinto que ele vai continuar, mas não posso falar pelo Michael”, comentou. Alguns dias depois foi a vez de Willi Webber, seu empresário. “Ele ainda não tomou a sua decisão”, garantiu na época.
O fato é que a Ferrari está disposta a esperar um pronunciamento do campeão e, se for o caso, prorrogar seu contrato. “O Michael está conosco desde 1996 e ele que decidirá quando irá parar. Eu disse para ele, há um ano e meio, que se quiser continuar correndo depois de 2006, ficaremos muito satisfeitos.”, comentou Luca di Montezemolo, presidente do grupo Fiat, proprietário da Ferrari, em agosto de 2005. Até a possível saída de Jean Todt, chefe da Ferrari, no final do ano é apontada como um fator que ajudará Schumi a se decidir.
É necessário advertir, no entanto, que o final de semana pode ser de grande frustração para os curiosos. Especula-se que a Ferrari irá anunciar três e não dois pilotos como titulares em 2007, dando assim mais tempo para Schumacher se decidir. “Não tomei nenhuma decisão, mas ainda possuo 14 dias. Talvez muito mais”, comentou o piloto no dia 25 de agosto. Ou seja, na segunda-feira o mistério pode continuar mais vivo que nunca.