São Paulo recebe, nesta quinta-feira (25), a 34ª Caravana da Anistia, atividade organizada pelo Ministério da Justiça para julgar os processos de anistia política de forma itinerante pelo Brasil. O evento acontecerá às 10h, na Câmara Municipal de São Paulo. Seis requerimentos serão apreciados, entre eles o de Maurício Grabois e Dinaelza Coqueiro, ambos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e de outros militantes da Guerrilha do Araguaia.
Há 10 anos, a Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, aprecia os pedidos de anistia política (entre 1946 e 1988) daqueles cidadãos que foram perseguidos pelo regime de exceção no país. Dos 66 mil processos protocolados na Comissão desde 2001, cerca de 54 mil já foram apreciados.
Participam da 34ª edição da Caravana a vice-presidente da Comissão de Anistia, Sueli Bellato, o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.
Desde abril de 2008, as Caravanas já passaram por 17 estados, julgando mais de 800 pedidos de anistia nos locais onde ocorreram as perseguições. Todas as regiões do país já foram visitadas pelo projeto.
Atividade cultural
A proposta da Comissão de Anistia é sempre agregar um projeto cultural às Caravanas. Em sua 34ª edição, a peça “Filha da Anistia” fará parte da programação. Esta é a primeira de uma série de peças teatrais apresentadas em eventos da Comissão. A obra conta a história de uma jovem que vai em busca do pai que nunca conheceu e acaba descobrindo um passado de mentiras e omissões forjado durante os anos de ditadura no Brasil. A peça estará em cartaz de 26 de março a 18 de abril, às 21h, no Instituto Cultural Capobianco, em São Paulo.
Confira os processos que serão julgados:
Maurício Gabrois
Líder do PCdoB, exerceu intensa militância política junto ao partido e em prol das liberdades democráticas. Assumiu papel de destaque na Guerrilha do Araguaia e, segundo relatos, morreu em novembro de 1973 pelas mãos do regime militar. Consta do rol dos mortos e desaparecidos políticos. Até a presente data seu corpo não foi encontrado.
Dinaelza Santana Coqueiro
Militante do PCdoB, natural de Vitória da Conquista (BA), foi deslocada em 1971 para a região do Gameleira, no Araguaia, onde era conhecida como “Mariadina”. Integrou o Destacamento B da guerrilha, participando de vários enfrentamentos armados. Conforme relatos foi presa pelo mateiro Manoel Gomes, entregue aos militares, interrogada e executada em abril de 1974. Consta do rol dos mortos ou desaparecidos políticos. Até a presente data seu corpo não foi encontrado.
Camila Arroyo
Filha do militante e dirigente do PCdoB Ângelo Arroyo. Ela teve que alterar o nome e viver na clandestinidade para não ser perseguida politicamente.
Dolores Cardona Arroyo
Esposa do militante e dirigente do PCdoB Ângelo Arroyo. Ela também teve que alterar nome e viver na clandestinidade para não ser perseguida politicamente.
Lenine Arroyo
Filho do militante e dirigente do PCdoB Ângelo Arroyo. Ele também teve que alterar o nome e viver na clandestinidade para não ser perseguido politicamente.
Vanderley Caixe
Membro e militante da Frente Aliança Libertadora Nacional. Foi punido pelo Ato Institucional nº 02. Indiciado em inquérito policial e denunciado como incurso nas penas da Lei de Segurança Nacional (LSN) ficou preso por 5 anos. Atuou de forma intensa nas lutas democráticas. Advogou para trabalhadores rurais na Paraíba.