O ministro da Energia, Edson Lobão, afirmou hoje, durante uma audiência realizada no Congresso, que o Brasil se tornará um grande exportador de petróleo, e com isso passará a ter “um destacado papel na geopolítica internacional”.
O ministro assegurou que, graças ao imenso potencial do chamado pré-sal, que guarda entre 50 mil e 80 mil barris de petróleo em águas profundas do oceano Atlântico, o Brasil poderá produzir, dentro de dez anos, 3,8 milhões de barris por dia, o que duplicaria sua atual produção.
A declaração do ministro não segue o tom do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que insiste que o país não deseja ser apenas vendedor de petróleo, mas de derivados, por meio de fortes investimentos no setor petroquímico.
Lobão participou de uma audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, que discute o marco regulador para a zona do pré-sal que propôs o Governo.
O projeto visa fortalecer a presença do Estado na indústria petrolífera através da Petrobras, que segundo o ministro, é uma empresa que “desperta inveja no mundo todo “.
Ele também destacou os avanços tecnológicos que transformaram a companhia brasileira em especialista na área de exploração em águas profundas, como é o caso do pré-sal.
Lobão também defendeu a proposta do Governo de que, em caso de associação da Petrobrás com uma companhia nacional ou estrangeira em algum bloco do pré-sal, a estatal terá uma participação mínima de 30% na parceria.
O Governo sugere também, entre outros pontos, a criação de uma nova empresa pública para representar o Estado e fiscalizar a execução dos contratos do pré-sal, assim como um plano de capitalização da Petrobras.
Segundo Lobão, a capitalização da firma será necessária, pois a exploração dos recursos necessitará de fortes investimentos, calculados em cerca de US$ 210 bilhões nos próximos dez anos.