CLAYTON CASTELANI
FOLHAPRESS
O Ministério Público de São Paulo instaurou nesta segunda-feira (9) um procedimento para apurar a superlotação ocorrida na rua da Consolação, na região central da capital paulista, durante as passagens de dois megablocos no pré-Carnaval da cidade.
A investigação da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo ocorre em meio à divulgação de imagens e relatos de foliões prensados em grades e passando mal neste domingo (8).
Tradicional local de desfile do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta no domingo que antecede o Carnaval, a rua da Consolação também recebeu neste ano o Bloco Skol. Os trios elétricos da cervejaria
patrocinadora da folia paulistana atraíram milhares de jovens para via ao anunciarem atrações como o DJ escocês Calvin Harris e outros famosos com milhões de seguidores nas redes sociais.
A decisão de autorizar dois megablocos simultâneos na rua da Consolação, na região central de São Paulo, havia sido objeto de críticas na oportunidade em que foi anunciada, no fim de janeiro.
A quantidade de público esperada causava apreensão em moradores da vizinhança e em foliões. Receio se transformou em realidade quando tumultos derrubaram grades de isolamento e prensaram pessoas que participavam da festa.
Antes da realização do evento, a Folha de S. Paulo havia questionado o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) sobre os riscos à segurança. Na ocasião, ele afirmou que havia estrutura suficiente para garantir a ordem. “[O evento] vai ter toda estrutura de segurança e atendimento médico”, disse Nunes, em 27 de janeiro. Já a patrocinadora Ambev disse, também no mês passado, seguir as regras dos órgãos competentes.
A mesma reportagem havia apresentado argumentos de representantes de moradores e comerciantes de que os horários muito próximos de concentração dos grupos e o compartilhamento do trajeto criaria dificuldades. A prefeitura respondeu, porém, que horários e percursos eram diferentes.
O que a reportagem havia apurado, porém, era a possibilidade de que qualquer descompasso na partida e na dispersão dos grupos, com eventuais atrasos, poderia resultar em tumulto.
Com menos de 40 metros de largura entre suas calçadas, a Consolação é cercada por prédios e muros.
Trechos com possibilidade de escoamento do público, como a praça Roosevelt, foram fechados com tapumes.
Neste domingo, Nunes disse que a prefeitura colocou em prática um plano de contingência acionado para barrar a entrada de mais foliões. Já nesta segunda, o prefeito afirmou que o primeiro final de semana de pré-Carnaval na cidade foi um sucesso. “Se considerarmos a quantidade de pessoas e as poucas ocorrências, a conclusão é que foi um sucesso”, afirmou o prefeito à GloboNews.
A confusão deste domingo ocorreu próximo da concentração do bloco de Calvin Harris. A reportagem viu uma série de pessoas passando mal e outras gritando por ajuda dos bombeiros. Um grupo começou a escalar grades de imóveis ao redor para tentar fugir do empurra-empurra. Alguns chegaram a invadir a área externa da Escola Paulista de Magistratura.
O estudante de administração Bernardo Andrade, 23, conta que estava na esquina da Consolação com a rua Piauí, onde estava concentrado o bloco do DJ escocês, quando foi arrastado.
“Não estava nem em pé, mas estava sendo carregado”, disse ele, que foi ao local para ver a atração internacional e o cantor Natanzinho Lima. “Tentamos chegar bem perto do trio porque não dá para ouvir o som de longe”, contou.