Patrícia Pasquini
Folhapress
O Ministério da Saúde reprovou a proposta de PDP (Parceria para o Desenvolvimento Produtivo) da vacina contra a dengue submetida pelo laboratório Bio-Manguinhos (Fiocruz) em parceria com a farmacêutica Takeda Pharma.
Em nota, o órgão afirmou que o projeto não atendeu a requisitos mínimos para participação no programa. A parceria não assegurava o acesso integral ao conhecimento de produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), impossibilitando a produção nacional do produto.
Segundo o ministério, não houve recurso contra a decisão.
A Takeda disse à Folha que, do ponto de vista técnico, esteve preparada e disposta para viabilizar a parceria.
A farmacêutica ressalta que segue aberta ao diálogo com o Ministério da Saúde e o Governo Federal para contribuir com soluções que ampliem o acesso e fortaleçam a capacidade nacional de imunização.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Fiocruz ( (Fundação Oswaldo Cruz) na tarde deste sábado (10), mas não obteve retorno.
Com a produção brasileira da Qdenga seria possível ampliar a vacinação contra a dengue para outras faixas etárias. O imunizante —aplicado em duas doses— é usado no SUS (Sistema Único de Saúde) em jovens de 10 a 14 anos.
Em junho de 2024, a Folha noticiou que a Fiocruz “trabalhava no limite” e dependia da construção de uma nova fábrica para conseguir atender a demanda do SUS pela vacina da dengue.
“A produção da vacina contra a dengue da farmacêutica Takeda implicará, necessariamente, na interrupção ou redução drástica da produção de outras vacinas para o Programa Nacional de Imunizações ou para as Agências das Nações Unidas”, disse a fundação na época.
“O que pode acarretar no aumento de casos da doença e até mesmo no aumento do número de óbitos em função desta falta”, afirma ainda o órgão.
Estes posicionamentos estão registrados no documento “Demandas do SUS e ausência de capacidade produtiva de Bio-Manguinhos/Fiocruz”, elaborado pela fundação em abril de 2024 e obtido pela Folha.