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Brasil

Minas Gerais lidera urbanização em encostas de risco no Brasil

Estado possui 14,5 mil hectares em áreas vulneráveis, com crescimento acelerado nas últimas décadas agravado pelas mudanças climáticas.

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 7h27

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Foto por PABLO PORCIUNCULA / AFP

Minas Gerais é o estado brasileiro com a maior área urbanizada em encostas íngremes, totalizando quase 14,5 mil hectares em locais de risco, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (4) pelo MapBiomas no Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil.

O estado, que sofreu com fortes chuvas na semana passada deixando 72 pessoas mortas e um desaparecido, destaca-se pela extensão de construções em terrenos inclinados. Juiz de Fora, município mais atingido na Zona da Mata com 65 mortes, é a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em declives, alcançando 1.256 hectares em 2024, atrás apenas do Rio de Janeiro (1,7 mil hectares) e São Paulo (1,5 mil hectares).

Outros estados como Rio de Janeiro (8,5 mil hectares), São Paulo (8,1 mil hectares) e Santa Catarina (3,7 mil hectares) também apresentam grandes extensões de áreas urbanas em terrenos inclinados.

O estudo revela que, nos últimos 40 anos, a ocupação de áreas de risco cresceu em ritmo mais acelerado do que a urbanização geral. Enquanto as áreas urbanas no Brasil expandiram 2,5 vezes, de 1,8 milhão de hectares em 1985 para 4,5 milhões em 2024, as construções em regiões com declividade acentuada mais que triplicaram, passando de 14 mil para 43,4 mil hectares no mesmo período.

De acordo com Mayumi Hirye, coordenadora do estudo, o contexto das mudanças climáticas e os eventos extremos agravam os riscos nessas áreas sensíveis. “Afetam a todos, mas incidem de forma mais dramática em áreas mais sensíveis e vulneráveis, cuja ocupação tem acontecido de forma mais acelerada do que o ritmo da urbanização total”, reforça.

Além dos declives, a proximidade de rios e córregos aumenta a exposição às enxurradas. Em 2024, 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no Brasil apresentam maior risco de inundação por essa característica. O Rio de Janeiro lidera entre os estados, com 108,2 mil hectares nessa situação, quase o dobro em relação a 1985. Em Rondônia, o total mais que duplicou, de 7,3 mil para 18,8 mil hectares.

Edmilson Rodrigues, engenheiro ambiental do MapBiomas, destaca que, historicamente, cidades se estabeleceram junto a corpos d’água, mas as mudanças climáticas elevam os riscos. “Diante do aumento do número de eventos extremos e do conjunto de funções cumpridas por áreas de várzea e planícies alagáveis, é importante monitorar a expansão de áreas urbanizadas em margens fluviais, buscando conservar o ambiente e a qualidade de vida da população”, conclui.

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