Em declarações à Agência Efe após uma conferência conjunta em Nova Délhi com seu colega indiano, Kamal Nath, o ministro disse que os dois países são “talvez os principais oponentes do protecionismo da UE e dos EUA. Essa é uma aliança eterna entre Índia e Brasil”.
Além disso, afirmou que as potências ocidentais estão cometendo “um erro com os países emergentes” ao manter as barreiras comerciais em vários setores, principalmente na agricultura.
Em seu discurso, o ministro destacou que “Brasil e Índia são duas grandes democracias cujas economias estão em processo de crescimento rápido, e as perspectivas para ambos são realmente encorajadoras”.
Miguel Jorge afirmou que sua visita ao país, acompanhado de uma grande delegação empresarial, tem o objetivo de “identificar oportunidades de negócio, mas também aumentar o conhecimento mútuo das peculiaridades” dos dois Estados.
Também destacou que os dois Governos têm “excelentes relações no mais alto nível” e um grande entendimento em organismos internacionais como a Organização Mundial de Comércio (OMC).
O ministro citou os principais aspectos que definem a estrutura econômica do Brasil, entre os quais destacou o compromisso do Governo em conseguir estabilidade monetária, a contenção da inflação, a inclusão de toda a sociedade na economia e o crescimento sustentável.
No entanto, Jorge também ressaltou os aspectos que devem ser melhorados. “Os dois países podem e devem aumentar seu comércio. A Índia representa uma pequena parcela do comércio do Brasil com a Ásia, apenas 1%. Temos muito a fazer”, acrescentou.
A balança comercial entre os dois países é amplamente deficitária para o Brasil, que exportou para a Índia um volume financeiro de US$ 957,9 milhões, em 2007, enquanto as compras brasileiras do país asiático chegaram a US$ 2,160 bilhões.
No período citado, as exportações brasileiras cresceram 2% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas da Índia com destino ao Brasil subiram quase 50%.
Os dois países mantêm o objetivo de alcançar um comércio bilateral de US$ 10 bilhões em 2010, meta que o ministro admite que não poderá ser atingida se o Brasil não acelerar o ritmo e se esforçar para equilibrar os intercâmbios para reduzir o déficit comercial.
O ministro revelou que a cooperação com a Índia também chegou ao setor da energia atômica.
“Temos uma das maiores reservas de urânio do mundo e devemos desenvolvê-la”, disse Jorge, que especificou que as atividades nucleares do Brasil têm fins civis.
O ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, agradeceu à delegação brasileira por seu “tempo e esforço” e disse que estão sendo abertas “novas oportunidades” para os dois países que trabalham “intensamente juntos”.
O diretor técnico da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex), Mauricio Borges, disse à Agência Efe que as barreiras legais ao comércio exterior existem nos dois países, mas que “devem de ser entendidas e superadas”.
Borges destacou os setores de autopeças, química farmacêutica – pelo grande desenvolvimento da fabricação de produtos genéricos -, processamento de alimentos e peças para a indústria da aviação civil como os que apresentam mais oportunidades para a cooperação comercial bilateral.