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Brasil

Materiais cortantes deixados de forma errada colocam em risco a saúde dos trabalhadores e podem transmitir doenças graves

Redação Jornal de Brasília

14/10/2025 6h40

Carliane Gomes
redacao@grupojbr.com

Neste ano, 98 garis do Distrito Federal se feriram durante a coleta de lixo por causa do descarte inadequado de materiais perfurocortantes, como vidros quebrados, facas e seringas, segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU). A forma correta de descartar esses materiais pode reduzir acidentes graves e proteger a saúde dos trabalhadores.

Guilherme Felipe Correia, de 27 anos, que atua na coleta de resíduos, afirma que os principais ferimentos estão ligados a cacos de vidro, seringas, giletes e espetos de churrasco descartados incorretamente. “Às vezes encontramos caco de vidro dentro de sacola de papel. Como é que uma pessoa coloca um caco de vidro, que é perfurocortante, em uma sacola de papel?”, questiona. Ele recomenda que vidros, seringas e espetos sejam colocados em garrafas PET ou embalagens rígidas, identificando o conteúdo com um adesivo. “Muitas vezes não conseguimos ver o que tem na sacola, pegamos e colocamos no caminhão e acabam acontecendo os cortes”, explica. Ele relata que já presenciou outras pessoas se machucando. “Teve um colega que pegou o lixo, só puxou a mão e cortou o dedo dele, um corte bem profundo. E outro colega furou a mão com uma seringa, que ficou pendurada na mão dele”, recorda.

Jairo Pereira dos Santos, coletor há cinco anos, também já sofreu acidentes. “Recentemente tive um corte no polegar esquerdo com estilhaços de vidro e precisei fazer fisioterapia para recuperar o movimento”, conta. Para ele, a separação correta do lixo reduziria riscos. “As pessoas separando o lixo de forma correta, vidro, ferro, orgânico ou colocando o vidro em algum recipiente, como uma caixa, o coletor já teria mais segurança”, destaca.

Como descartar corretamente?

Segundo a SLU, materiais perfurocortantes domésticos, como vidros, cacos e objetos cortantes, devem ser embalados em caixas de papelão, garrafas PET ou folhas de jornal. “Pressione as tampas das latas para dentro”, orienta a instituição. Garrafas PET podem ser usadas para alfinetes, pregos, espetinhos de churrasco, cacos e outros objetos pontiagudos. Em caso de excesso de peso, a orientação é distribuir o lixo em mais de um saco para garantir a segurança dos coletores.

A diretora técnica do SLU, Andréa Almeida, explica que a população precisa diferenciar dois tipos de perfurocortantes. “Tem o do serviço de saúde, como agulha e seringa, que pode ser colocado em uma caixinha específica e levado a alguma Unidade Básica de Saúde (UBS) próxima da residência. E tem o doméstico, como garrafas, copos e taças quebrados, além de espeto, garfo e faca”, detalha. Ela recomenda que vidros quebrados sejam colocados dentro de caixas de papelão lacradas, com aviso de cuidado, para evitar cortes aos trabalhadores.

Andréa sugere ainda o uso de garrafas PET para espetos, garfos e facas. “Não é necessário lavar a garrafa, basta retirar o excesso de resíduos, colocar os materiais dentro e fechar. O mesmo cuidado que fazemos com o vidro protege os garis.” Ela alerta que, se um coletor ou catador se ferir e for possível identificar quem descartou incorretamente, a pessoa pode ser autuada pelo DF Legal, pois descartar material inadequadamente é infração administrativa.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) alertou que o descarte incorreto de perfurocortantes representa risco à saúde pública e ao meio ambiente. “A exposição acidental a esses resíduos, classificados como Grupo E, pode causar acidentes graves e infecções por patógenos perigosos, como os vírus das hepatites B e C e o HIV. Além disso, o descarte inadequado pode contaminar o ambiente com agentes biológicos e químicos”.

A SES-DF orienta que estabelecimentos de saúde sigam integralmente as normas sanitárias e que a população armazene seringas e agulhas usadas em recipientes rígidos e rosqueados, identificados como “Material Contaminado”, entregando-os em farmácias ou drogarias para destinação adequada. O Governo do Distrito Federal mantém contrato com empresa especializada para recolher e tratar corretamente os resíduos de unidades de saúde. “Em caso de acidente com perfurocortantes, é fundamental procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação, notificação e orientação sobre o tratamento adequado”, pontuou a SES.

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