A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PV-AC), criticou nesta quinta-feira (24) o discurso do presidente Lula realizado ontem (23) na reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. Para Marina, Lula foi omisso ao não falar sobre mudanças climáticas e frustrou por não ter uma posição mais firme em relação ao tema.
“O momento exigia que o Brasil tivesse uma posição mais firme. Infelizmente não tivemos os apelos do presidente Lula com o foco nessas questões climáticas. (…) Havia uma expectativa muito grande da sua participação. Diante de todas as possibilidades de fazermos a diferença nesse processo, acho que foi algo bastante frustrante”, considerou Marina em entrevista coletiva.
Em seu discurso na Assembleia da ONU, Lula optou por enfatizar a crise política em Honduras. O presidente pediu maior mobilização internacional em defesa do presidente deposto daquele país, Manuel Zelaya. Lula falou também sobre o embargo econômico a Cuba, a crise econômica mundial e a Amazônia, mas não chegou a citar a necessidade de debate sobre metas para 15ª Convenção das Nações Unidas para Mudanças do Clima (COP 15).
“Ficou uma imensa lacuna no ar. De fato o presidente Lula, se colocou perante Assembleia e perante toda a imprensa mais interessado em discutir a questão de Honduras, que não é uma crise tão importante quanto à crise do clima. Não foi o momento mais feliz da performance do Brasil no mundo”, engrossou o discurso o vereador Alfredo Sirkis (PV).
Metas
Na coletiva, a senadora Marina Silva e o vereador Sirkis apresentaram os princípios básicos que o Partido Verde espera do governo brasileiro e de outros países diante das negociações da COP 15. O PV propõe que o Brasil assuma meta de redução equivalente, pelo menos, à metade das metas que forem assumidas pelos países ricos.
“O governo tem falado em metas, mas só de uma forma genérica. Nós defendemos metas não só para o desmatamento, mas metas envolvendo a indústria, o setor de energia e demais setores”, defendeu Marina.
Para Marina, o fato de o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ter sinalizado que o Brasil vai apresentar metas numéricas de redução de emissões na COP 15 foi positivo. Mas a senadora afirma que a sociedade não deve ser surpreendida por metas impostas pelo governo, e sim deve ser envolvida no debate.
“Ao tempo que é positivo dizer que seremos surpreendidos com números, não é positivo dizer que seremos surpreendidos. A posição brasileira deve ser construída com o conjunto da sociedade brasileira. Queremos chegar a Copenhague não com uma proposta feita sem a devida transparência no processo de construção da posição brasileira, mas com algo que possa ser efetivamente discutido com os setores da sociedade”, considerou Marina.
O partido quer também o governo brasileiro leve à Copenhague a proposta de que os países ricos se comprometam com 70% dos financiamentos para programas e ações de redução da emissão de gases do efeito estufa. O Banco Mundial estima em US$ 470 bilhões anuais em recursos e tecnologia. De acordo com a proposta do PV, os países ricos seriam responsáveis pelo aporte de US$ 330 bilhões anuais.