"O plano é disputar a maratona olímpica em 2008 e seguimos um planejamento que começou em 2004", explica o técnico do fundista, Adauto Domingues. A programação prevê a redução nos tempos de pista do corredor para brigar pelas medalhas pan-americanas – Marílson foi prata nos 10.000m e bronze nos 5.000m em Santo Domingo-2003.
"A idéia é melhorar os resultados de pista para o Pan, mas em 2008 disputar a maratona. A diferença nos tempos dele para os africanos na pista ainda é muito grande, mas na maratona não e é até possível ganhar uma medalha", arrisca Adauto.
Treinador de Marílson há 15 anos, desde que o atleta veio para São Paulo aos 14 anos, o bicampeão pan-americano nos 3.000m ressalta que a evolução técnica do pupilo, bem como seus resultados recentes, não são uma surpresa. No último domingo, ele conquistou o título da maratona novaiorquina com o tempo de 2h09min58, mesmo tendo corrido com um problema no pé. Na briga, enfrentou temperaturas na casa dos 17°C e superou o recordista mundial da distância e campeão da prova na temporada passada, o queniano Paul Tergat e outros nomes de peso.
"Já tinhamos planejado desde o começo do ano que no segundo semestre ele disputaria uma maratona. Em março escolhemos Nova York porque, apesar do frio e do percurso difícil, seria um confronto direto com os melhores do mundo. Sabíamos que com 2h09 ele poderia até vencer e isso não chegou a ser uma surpresa. Mas claro que é sempre surpreendente derrotar um campeão olímpico", avalia Adauto.
Na opinião do treinador, os progressos de Marílson refletem a determinação e o empenho do corredor. "Às vezes você planeja coisas com um atleta, mas não dá certo. Com Marílson é exatamente o oposto. Ele facilita muito para o treinador porque é muito determinado e disciplinado".
Apesar dos bons resultados, Adauto acha importante manter a migração para a prova que exige mais resistência dos corredores dentro do planejamento feito para a carreira do atleta. "Ele tem características físicas de maratonista, mas por mais que tenha talento para isso é como um bom piloto de carros. Nenhum começa pela Fórmula 1. Esta foi a quinta maratona dele, ainda falta experiência, mas ele está evoluindo muito bem".
A busca pelo índice para os Jogos Olímpicos começa no segundo semestre do próximo ano. De acordo com Adauto, Marílson pode tentar a marca nas maratonas de Chicago e Berlim.
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