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Brasil

Marechal Rondon: o verdadeiro herói

Arquivo Geral

18/05/2014 8h00

Ao adentrar o território dos inhambiquara, o marechal Cândido da Silva Mariano Rondon levou três flechadas. Uma delas, envenenada, atingiu seu peito. Ele sobreviveu graças a uma tira de couro de suas vestimentas, que conteve a toxina de entrar em sua corrente sanguínea. Ao se erguer, impediu que os soldados revidassem e tentou o diálogo novamente. Foi tido como um deus por aqueles índios.

Era 1907 e o militar estava em expedição cartográfica. Ele queria localizar o até então não mapeado rio Inhambiquara e instalar linhas telegráficas no norte do Mato Grosso, uma das entradas para a Floresta Amazônica. 

“Não tenho menor pudor ao defini-lo como maior cientista brasileiro do século XX”, diz o biógrafo Cacá de Souza, de 54 anos, 25 deles dedicados a estuda a vida e as realizações do personagem histórico.

Bom exemplo

A Rondon, nome adotado por Cândido da Silva em homenagem ao tio, que ajudou em sua criação, foi atribuída a frase “Matar nunca, morrer se necessário”. Não à toa, foi o criador do Serviço Nacional de Proteção ao Índio – que deu origem à Funai – e militou nessa área, talvez por influência da descendência indígena de sua mãe.

“No momento em que o País precisa de bons exemplos, é uma pena que não tenhamos a presença do Rondon na grade curricular das escolas brasileiras”, lamenta Cacá.

 “Ele deve ser reconhecido não apenas como quem implantou as linhas telegráficas no Brasil e se aproximou dos povos indígenas. Sua capacidade vai muito além”, exalta Cacá de Souza.

História está em  museu de Nova York
 
O pesquisador Cacá de Souza está em Nova York, onde coleta informações a respeito do Marechal Rondon no Museu Americano de História Natural, que contém diversos documentos sobre o brasileiro. Isso se deve, em parte, à excursão Roosevelt-Rondon, pela Floresta Amazônica, que comemora 100 anos em 2014 e é motivo de exposição em São Paulo. 
 
Ela é tida como uma das principais expedições científicas do século XX. “Se o presidente americano não tivesse ido ao Brasil, ninguém saberia do marechal Rondon. Ele que contou ao mundo sobre o que estava sendo feito na Amazônia. Foram cartografados mais de 1,5 mil km e descoberto um rio, hoje chamado de Rio Roosevelt”, explica Cacá. 
 
Uma das maiores contribuições de Rondon à nação, porém, foi ajudar a delimitar o território brasileiro. Segundo as pesquisas biográficas, ele percorreu ou coordenou expedições que demarcaram os mais de 17 mil km do nosso território. “E ele fez isso sem criar conflitos com um único país!”, exalta Cacá. “Não houve questionamento algum. E olha que só dois países da América do Sul não fazem divisa conosco.” 
 
Rondon foi indicado duas vezes a receber o prêmio Nobel, ambas sob aval, dentre outras figuras históricas, de Albert Einstein. O famoso cientista, inclusive, teria tido como principal motivação em sua vinda ao Brasil, em 1925, conhecer o marechal. Cândido Mariano da Silva Mariano morreu bem idoso, em 1958, aos 93 anos. 
 
Saiba mais
 
Pelo menos três localidades brasileiras foram nomeadas devido ao Marechal Rondon. No Paraná existe Marechal Rondon; no Mato Grosso, onde nasceu, há Rondonópolis e foi dele a inspiração para a nomeação de Rondônia. O marechal é, até hoje, a única figura histórica brasileira a inspirar o nome de uma unidade da Federação. Nascido em 1865, ele se formou na Escola Militar do Rio de Janeiro em 1881 e também era formado em matemática, engenharia e ciências naturais e biológicas.
 

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