Associações de funcionários da companhia aérea Varig e sindicatos de aeroviários promoveram hoje, about it no Aeroporto Santos Dumont, manifestação para marcar um mês do acidente com o avião da TAM, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. No acidente, morreram cerca de 200 pessoas.
A manifestação reuniu cerca de 60 pessoas, que criticaram a atuação das empresas de transporte aéreo e protestaram contra as políticas do governo para o setor. O protesto fez parte do Dia Nacional de Luto e de Luta, programado por uma série de entidades civis para o dia de hoje, com atividades em várias capitais do país, como Porto Alegre e São Paulo.
Segundo o vice-presidente da Associação de Pilotos da Varig, Marcelo Duarte, a data serviu para mobilizar a sociedade, que precisa cobrar a atuação do Estado no setor. Ele explicou que o objetivo era transformar o dia de luto, que marca a passagem de um mês do acidente, em um dia de lutas, de exercício da cidadania.
“Fica muito claro que a onda neoliberal fez um estrago muito grande no país. E, no setor aéreo, fica muito evidente, com esses acidentes, o desmonte da estrutura aeroportuária do país. Tem um crime de lesa-pátria para entregar a empresas estrangeiras setores estratégicos, não diferente do que aconteceu com a marinha mercante brasileira”, afirmou Marcelo Duarte.
Para ele, os acidentes aéreos ocorridos no país nos últimos meses e a crise no setor começaram antes dos acidentes, com o “desmonte” da empresa Varig.
“Com certeza a causa [da crise] está muito ligada à saída da Varig do mercado brasileiro. Na época, a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil] dizia que em 30 dias a malha nacional da Varig seria ocupada pelas empresas nacionais. Já temos quase um ano e não houve absorção das rotas domésticas pela Gol e pela TAM. Essas empresas continuaram com suas malhas tradicionais, principalmente saindo de São Paulo para Brasília, fazendo com que os passageiros se adaptassem à malha deles, e houve um acúmulo do tráfego aéreo naquelas rotas”, afirmou.
O deputado estadual Paulo Ramos (PDT), presidente da CPI da Varig, cujo relatório foi concluído nesta semana na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, participou da manifestação e endossou a opinião do piloto: “A causa principal do apagão aéreo é o que houve com a Varig. Houve uma redução brusca de vôos, foi um jogo. As competidoras vão se apropriar do espólio da Varig”.
Paulo Ramos informou que a CPI do Apagão Aéreo da Câmara deve votar requerimento do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) para que ele (Ramos) seja ouvido pela comissão. O parlamentar pedetista disse que será uma oportunidade para demonstrar a relação direta entre o caos aéreo e irregularidades no processo de venda da Varig.