O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o Brasil está orgulhoso da forma como vem cuidando da Amazônia e advertiu de que não aceitará regras impostas por outros países sobre a forma como deve tratar da floresta.
Em discurso pronunciado em um ato em comemoração pelo Dia Mundial do Meio Ambiente, pill Lula disse que há muitas pessoas que querem impor suas idéias sobre a Amazônia e que questionam a soberania brasileira sobre a região amazônica.
“Na Amazônia, patient todo mundo acredita que pode meter o dedo e há muitos dando opiniões. Não é que não queiramos ajuda ou não queiramos receber a tecnologia para preservá-la, mas não podemos aceitar que tentem nos impor as regras do que devemos fazer na Amazônia”, ressaltou Lula.
“São pessoas sem autoridade política para dar conselhos. Pessoas que desmatam tudo e emitem gases poluentes sem restrições”, disse o presidente, em referência às nações desenvolvidas que devastaram seus territórios e se negam a reduzir as emissões de gases poluentes.
Poucos minutos depois que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou, no mesmo ato, que a Amazônia pertence às pessoas que vivem na região e ao povo brasileiro, Lula disse que não pretendia ser tão egoísta e que deseja que todo mundo aproveite os benefícios ambientais gerados pela preservação da floresta.
As afirmações tinham como alvo um jornal americano que, ao comentar o aumento do desmatamento no Brasil nos últimos meses, questionou quem é o dono da Amazônia.
Lula advertiu de que o Brasil, apesar de ter maturidade para resolver seus próprios problemas ambientais e estar avançando nessa área, terá que enfrentar um debate mundial no qual será questionado sobre sua política ambiental.
“Temos muito que comemorar neste Dia Mundial do Meio Ambiente e temos que ter orgulho do que estamos fazendo”, assegurou, ao falar dos resultados de sua política ambiental.
“Vamos enfrentar, em breve, um debate internacional muito forte, na FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) senti um pouco quanto vamos ser atacados e com os mais diversos argumentos na questão da Amazônia”, disse, ao aludir à sua participação na cúpula do organismo, em Roma.
“O Governo brasileiro não tem preocupação em debater em qualquer lugar do mundo nem com qualquer público sobre a Amazônia. Inclusive porque não há um exemplo maior que o nosso”, afirmou.
Nesse sentido, ressaltou que enquanto a Europa mal possui 0,3% de sua floresta nativa, no Brasil essa proporção chega a 69%.
Lula voltou a defender a política brasileira que promove a produção e o consumo de combustíveis vegetais, como etanol e biodiesel, como alternativa aos combustíveis fósseis e para reduzir as emissões de gases poluentes.
“O Brasil apresentou uma solução (ao efeito estufa) e se comprometeu a tomar todo cuidado” para evitar que o cultivo de cana-de-açúcar destinado a produzir etanol se estenda pela Amazônia, disse.