O técnico da seleção brasileira masculina de basquete, Aluísio Ferreira, o Lula, está incomodado e o motivo é o que ele considera uma subvalorização dos resultados obtidos pela equipe em torneios internacionais. Na próxima semana, a seleção disputa o Campeonato Sul-americano, dando aquele que pode ser o primeiro passo para a classificação aos Jogos Olímpicos de Pequim-2008.
“Com toda essa globalização parece que nada mais é importante, a não ser os megaeventos”, diz, referindo-se ao Campeonato Mundial e às Olimpíadas. Atual campeão da Copa América, Lula reclama da falta de dimensionamento para os demais eventos. “As pessoas têm a tendência de ver o aspecto mais negativo”.
Lembrando a temporada de 2003, quando o time foi campeão sul e pan-americano, mas não atingiu o objetivo principal no pré-olímpico, o técnico lamenta que tudo acabou se resumindo a não classificação para os Jogos de Atenas. “Claro que o ideal era conseguir a vaga, mas é chato falar que é um vexame não ir”, lamenta o treinador, que gostou das novas regras de classificação olímpica.
A partir dos Jogos de Atenas-2004, a Federação Internacional de Basquete (Fiba) mudou o sistema de distribuição de vagas, tirando parte do peso do Campeonato Mundial. Antes, era o desempenho dos continentes neste torneio que estabelecia o número de vagas para cada um nas Olimpíadas. Agora, estes números são pré-definidos: Américas e Europa têm duas cada; Ásia, uma, assim como África e Oceania. Campeões olímpico e mundial têm classificação automática e as outras três vagas serão ocupadas pelos medalhistas do Pré-olímpico mundial, repescagem para os que não se classificarem nos pré-olímpicos de seus continentes.
“São duas chances de se classificar. Agora tem que torcer para o campeão mundial ser um país da América e sair um candidato do Pré-olímpico”, explica.
Antes da Copa América de 2007, e do Torneio Pré-olímpico, a seleção terá uma oportunidade de assegurar vaga em Pequim. Para isso, precisa vencer o Campeonato Mundial, em agosto, no Japão. Lula reconhece que a tarefa é difícil, mas acredita que o Brasil pode, pelo menos, fazer uma campanha melhor que a de 2002, quando terminou em oitavo lugar.
No Japão, o treinador vai contar com mais da metade do time que foi ao Mundial de Indianápolis (sete dos 12). A diferença é que hoje aqueles que tinham no máximo 22 anos ainda são jovens porém bem mais experientes.
É o caso do caçula Tiago Splitter, hoje com 21 anos, contratado do Tau Ceramica na Espanha há cinco temporadas e que já disputou três edições da Euroliga. “Para eles, o tempo corre a favor”, diz Lula.
Leandrinho, jogador da NBA há três temporadas, é outro exemplo apontado pelo técnico. “No Pré-olímpico de 2003 ele havia acabado de entrar na NBA. Agora ele é NBA”, compara. “O time (como um todo) amadureceu. A seleção teve uma tacada forte em 2001, com uma forte renovação. Hoje, cinco anos depois, são os mesmos jogadores, mas mais experientes. É um grupo nitidamente mais evoluído”.