O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou hoje alemães e brasileiros para unirem suas forças e seus conhecimentos para “serem felizes juntos”.
“Sempre ouvi dizer que a felicidade sozinha é estéril e egoísta. Por isso proponho, a alemães e brasileiros, unirmos nossas capacidades econômicas e nossos conhecimentos para sermos felizes juntos”, disse Lula em Hamburgo, durante um seminário da Associação Empresarial para América Latina.
O presidente do Brasil fechou dessa forma um discurso em que estimulou os empresários presentes a aproveitarem as oportunidades de investimento existentes em seu país, desde os setores infraestrutura viária até o de desenvolvimento de inovações tecnológicas para reduzir emissões de gases poluentes.
Lula fez o discurso quase todo de improviso, deixando de lado o manuscrito argumentando que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, já tinham dito tudo o que ele queria falar no que diz respeito aos dados básicos da economia do país.
Mas, os três coincidiram em ressaltar a força atual da economia brasileira que foi uma das últimas a sofrer os efeitos da crise financeira internacional e uma das primeiras a superá-la.
“Apesar da crise, em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 1% e para 2010 esperamos crescimento de 5%”, disse Mantega.
Além disso, a delegação brasileira apresentou projeções que colocam o Brasil como a quinta economia do mundo em 2026.
Todo isso, apoiado em um mercado interno em expansão que está longe de estar saturado em setores como automotivo e telefonia celular.
Lula destacou que no país existem inúmeras possibilidades de investimento para os empresários alemães, nação com 140 anos de relação comercial com o Brasil.
Concretamente, há um plano de investimento público, com licitações internacionais, no qual terão de desembolsar cerca de US$ 316,2 bilhões a partir de 2010.
Entre os projetos pendentes de execução há alguns de ampliação de infraestrutura ferroviária – incluindo a construção de uma linha de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro – e programas de habitação popular e de centrais elétricas.
Diante do Mundial de Futebol de 2014, que será realizado no Brasil, terão de fazer obras em 12 estádios – alguns dos quais ainda têm de ser construídos – e estão previstos investimentos da ordem de 4 bilhões de euros na modernização do transporte urbano das cidades sede.
“Em décadas (nos anos 50 e 60), os investimentos alemães ajudaram à industrialização do Brasil e agora esperamos outra vez a ajuda de nossos velhos amigos”, disse Lula.
Acrescentou que, além da boa situação do país, um atrativo para os investidores é a qualificação adequada dos trabalhadores que teve um avanço significativo nos últimos anos.
“Estou orgulhoso de ser presidente sem diploma universitário que em oito anos impulsionou a criação de mais universidades e escolas técnicas que as existentes no Brasil em 200 anos”, disse Lula.
“Senhores encontrarão agora no Brasil trabalhadores tão bem preparados como os que estão acostumados a ter em suas casas”, acrescentou o presidente.
De acordo com Lula, isso cria uma situação favorável ao incentivo de inovações para o qual acredita que pode haver uma grande cooperação com a Alemanha.
“Os alemães entendem muito de inovação e eu quero que essa palavra se identifique com o Brasil, tanto como o futebol e o samba. É por meio da inovação que podemos melhorar nossos produtos”, disse Lula.
O presidente ressaltou o simbolismo sobre o seminário ser realizado em Hamburgo já que nessa cidade foi assinado um dos primeiros acordos comerciais com o Brasil, em 1827.