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Brasil

Ligue 180 registra aumento de 45% nos atendimentos em 2025

Quase 70% das agressões contra mulheres ocorreram no ambiente doméstico, com mulheres negras representando mais de 43% das vítimas.

Redação Jornal de Brasília

15/04/2026 18h34

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A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres, registrou em 2025 um total de 1.088.900 atendimentos, o que representa um aumento de 45% em comparação com o ano anterior. Foram contabilizadas 155.111 denúncias de violência contra mulheres, alta de 17,4% em relação ao mesmo período de 2024, equivalendo a uma média diária de 425 denúncias.

Dos registros, quase 70% das agressões ocorreram em ambiente doméstico: 40,76% na residência da vítima, 28,58% na casa compartilhada com o suspeito e 5,39% na casa do agressor. Outros cenários incluem vias públicas (2,96%) e ambiente virtual (2,96%). As denúncias foram feitas principalmente pelas próprias vítimas (66,3%), de forma anônima (16,9%) ou por terceiros como familiares e amigos (16,8%).

Quanto à frequência, 31,86% das denúncias referem-se a violências diárias, enquanto 20,91% indicam convívio com agressões há mais de um ano e 10,15% começaram recentemente, até 30 dias antes. Outras periodicidades incluem semanal (8,10%), mensal (1,82%), ocasional (17,39%) e única (10,50%).

No perfil das vítimas, mulheres negras (pretas e pardas) somam 43,16% das denúncias, com 33,46% para pardas e 9,70% para pretas. Mulheres brancas representam 32,54%, amarelas 0,52% e indígenas 0,31%, com 23,45% sem declaração de raça/cor. A faixa etária de 26 a 44 anos concentra 37,19% dos casos, com pico entre 40 e 44 anos (9,75%).

Os tipos de violência totalizam 679.058 violações nas 155.111 denúncias, aumento de 18,5%. A psicológica é a mais comum (49,9%, mais de 339 mil casos), seguida pela física (15,3%, mais de 104 mil). Outras incluem patrimonial (5,4%), sexual (3,0%), com 1,2% de importunação sexual, e sequestro ou cárcere privado (0,4%). Cerca de 75,9% dos casos enquadram-se na Lei Maria da Penha.

Em 2025, foram registradas 7.064 denúncias de violência vicária (4,55%), prática em que o agressor usa filhos ou parentes para causar sofrimento psicológico à mulher. No primeiro trimestre de 2026, esse percentual subiu para 7,77% (3.552 casos de 45.735 denúncias totais). Em abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.384/2026, que tipifica o crime de vicaricídio como hediondo, com pena de até 40 anos de reclusão.

Por regiões, o Sudeste concentra 47,4% das denúncias, seguido pelo Nordeste (18,2%), Centro-Oeste (11,5%), Sul (10,2%) e Norte (6,0%). Entre os estados, São Paulo lidera com 34.476 registros, seguido por Rio de Janeiro (22.757) e Minas Gerais (13.421).

No primeiro trimestre de 2026, o Ligue 180 registrou 301.044 atendimentos (+14%) e 45.735 denúncias (+23%) em comparação com o mesmo período de 2025.

O serviço oferece atendimento 24 horas pelo telefone 180, WhatsApp (61) 9610-0180 e e-mail central180@mulheres.gov.br. Denúncias também podem ser feitas em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, delegacias comuns, Casas da Mulher Brasileira, Disque 100 ou 190.

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