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Brasil

Líder Yanomami diz que servidores vacinam garimpeiros em troca de ouro

O vice-presidente da associação, Dário Kopenawa, assina o ofício e indica ao menos dois responsáveis pelo esquema

Redação Jornal de Brasília

14/04/2021 9h50

Foto: Lucas Lima/ISA

A Hutukura Associação Yanomami afirma que há suspeita de que servidores da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde, têm vacinado garimpeiros contra covid-19 em troca de ouro extraído ilegalmente.

O documento foi enviado ao Ministério Público Federal (MPF) e à Sesai no último dia 8 e divulgado nesta terça-feira (13). O vice-presidente da associação, Dário Kopenawa, assina o ofício e indica ao menos dois responsáveis pelo esquema.

O vice-presidente afirma que uma técnica em enfermagem, que atuava no pólo base Humuxi, estava trocando as vacinas com os invasores da terra indígena, além de desviar gasolina e um gerador de energia do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y) para os garimpeiros também em troca de ouro.

Os crimes estariam acontecendo desde janeiro, logo após as vacinas começarem a ser aplicadas em Roraima. “Essas informações são verdadeiras, passadas pelas lideranças desses locais. Nessas regiões é bem comum a troca de materiais por ouro, como remédios, e infelizmente, às vezes esses profissionais acabam se deixando levar”, afirmou Kopenawa.

“É comum a queixa por parte dos Yanomami de que o materiais e medicamentos destinados à saúde indígena estão sendo desviados para atendimento aos garimpeiros. Em julho de 2020, já havia sido encaminhado aos órgãos aqui endereçados o depoimento de uma Yanomami da comunidade de Kayanau queixando-se da piora no estado da saúde em sua comunidade e mencionando o desvio de medicamentos por um funcionário do DSEI-Y que atendia no polo base local”, diz trecho do ofício encaminhado ao MPF e à Sesai.

“É inadmissível que, em meio à insistente piora nos índices de saúde das comunidades indígenas da Terra Indígena Yanomami e em plena pandemia da Covid-19, o órgão responsável pelo atendimento da saúde indígena tenha seus recursos desviados para atendimento de não indígenas que trabalham no garimpo ilegal”, crítica a associação em outro trecho do oficio.

Procurados, o MPF e Ministério da Saúde, que responde pela Sesai, não se manifestaram sobre o relato até a última atualização desta matéria.

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