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Brasil

Latam realiza primeira grande revisão de um Boeing 787-9 no Brasil; veja detalhes

Redação Jornal de Brasília

12/03/2026 6h42

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Fábio Pescarini
Folhapress


O mecânico Elias Pereira revisa os inúmeros instrumentos de pilotagem na cabine. Cerca de 300 assentos de passageiros são avaliados um a um. Junto a um deles, da janela dá para ver dois homens em cima de um elevador limpando a parte externa. Embaixo de uma das asas, a enorme capa que protege o motor é colocada de volta no lugar após minusiosa análise do propulsor. Tudo ao mesmo tempo.

A companhia aérea Latam realizou no mês passado o primeiro check nível C de um Boeing 787-9 Dreamliner no Brasil.

Apontada como a primeira revisão completa de um 787 na empresa, essa é a penúltima das grandes checagens que se faz em um avião do porte. Acima, há trabalhos estruturais, como na fuselagem, explica a Latam.

A revisão no avião utilizado pela empresa em voos internacionais e intercontinentais para Estados Unidos e países da Europa ocorreu no recém-construído hangar do MRO (Maintenance, Repair and Overhaul; manutenção, reparo e revisão), em São Carlos (a 230 km de São Paulo).

A estrutura, orçada em R$ 40 milhões, foi erguida exclusivamente para a manutenção da frota de 38 aviões Boeing 787 da companhia —a meta é chegar a 47 até 2028. A inauguração ocorreu em setembro do ano passado.

A Latam é a única das três aéreas brasileiras que opera voos com essa aeronave —na semana passada, a Gol anunciou que passará a operar com modelos Airbus A330-900 e o primeiro destino será Nova York.

Até o mês passado, para realizar procedimentos semelhantes, o avião precisaria voar até a estrutura da empresa em Santiago (no Chile) ou em Abu Dhabi (nos Emirados Árabes Unidos), a quase 20 horas de viagem.

Segundo Marcos Melchiori, gerente-geral do MRO, a checagem nível C, rotulada como manutenção pesada, foi uma parada programada da aeronave para a execução de um pacote de tarefas.

São analisados desde os sistemas aviônicos, como computadores de bordo, inspeções, limpeza, até a revisão da estrutura da aeronave.

“Olhamos se toda a estrutura continua íntegra, livre de corrosões ou danos por fadiga”, afirma.

Segundo ele, os tanques de combustíveis foram esvaziados para dar acesso ao interior das asas, para que fossem avaliadas por dentro, assim como componentes, sistemas e sensores instalados ali.

No dia da visita da reportagem, por várias vezes foram checados os slats e flaps (mecanismos móveis na frente e atrás das asas, respectivamente).

Mecânicos analisavam os dois motores. De acordo com a Latam, em São Carlos eles não recebem manutenção direta, mas há checagem de selos, por exemplo —a carenagem dos propulsores ficaram abertas praticamente todo o tempo em que a Folha permaneceu no hangar.

No porão de carga, a reportagem acompanhou a verificação da tubulação de ar e hidráulica.

Na fuselagem, produzida em parte com fibra de carbono, houve, inclusive, busca de pontos onde possíveis raios possam ter atingido a aeronave durante o voo.

A checagem também faz troca preventiva de componentes. “A Latam tem muita experiência com 787, então sabemos quando se deve ser feita alguma troca para evitar problemas futuros”, diz o supervisor de manutenção Everton Micheletti.

A Boeing entrega um manual com vencimento das etapas de revisão, determina o que precisa ser feito e quando. Cada companhia dona do avião pode planejar a parada da aeronave como for melhor.

“A Latam prefere concentrar e antecipar tarefas”, diz Melchiori.

Nos dois próximos procedimentos, a previsão é de uma revisão mais robusta, com troca de trem de pouso, o que geralmente ocorre a cada dez anos.

Pinturas também devem ser feitas em breve em Boeing 787 no hangar de São Carlos —há outros no centro de manutenção para os modelos da Airbus operados pela companhia e serão preprados para aviões da Embraer que começarão a ser incorporados à frota ainda neste ano.

A empresa voa com modelos 787-9 desde 2015. Os modelos mais novos são de 2023.

O HANGAR
Maior centro de manutenção aeronáutica da América do Sul, o Latam MRO surgiu em 2001 criado pela então TAM, presidida por Rolim Adolfo Amaro (1942-2001), e fez parte de um processo de transformação da região paulista num polo aeronáutico, que inclui a Embraer, em Gavião Peixoto, e um curso de engenharia aeronáutica na USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos.

O novo hangar é especializado nas manutenções completas de aeronaves Boeing 787 Dreamliner. É o maior investimento da aérea no MRO nos últimos dez anos.

A construção, segundo a Latam, permitirá internalizar mais serviços na unidade de São Carlos, reduzindo custos e dando mais flexibilidade e pontualidade na volta dos aviões para voos.

No ano passado começou o programa de retrofit de cabine do Boeing 787, com atualização, inclusive estética, do interior.

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