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Brasil

Justiça propõe acordo e greve na CPTM pode acabar na tarde desta quarta (5)

Greve chegou em seu segundo dia nesta quarta, causando superlotação em outras linhas e prejudicando a mobilidade na capital

Redação Jornal de Brasília

05/08/2026 14h54

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Foto: Reprodução/ Redes Socias CPTM

LEANDRO MACHADO
FOLHAPRESS


A Justiça do Trabalho propôs um acordo entre os trabalhadores da CPTM e a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para encerrar a greve dos ferroviários, que entrou em seu segundo dia nesta quarta-feira (5).

A proposta deve ser votada em assembleia pelos trabalhadores ainda na tarde desta quarta. Caso aprovada, os servidores devem voltar ao trabalho a partir das 16h.

A greve chegou em seu segundo dia nesta quarta, causando superlotação em outras linhas e prejudicando a mobilidade na capital.

Os trabalhadores reinvindicam a manutenção dos empregos diante da privatização de ramais da CPTM pela gestão Tarcísio. As linhas 11, 12 e 13 foram concedidas à empresa Trivia Trens no fim de junho.

Porém, diante de falhas na operação, a Artesp decidiu que a CPTM deveria retomar a operação dos ramais pelo prazo de 90 dias.

Mais cedo, Tarcísio afirmou que enviaria um projeto de lei à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) garantindo a absorção dos trabalhadores das linhas concedidas em órgãos públicos do Estado.

Durante audiência no TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2 região), representantes dos sindicatos afirmaram que a proposta do governo não garantia a manutenção dos empregos de toda a companhia, uma vez que citava apenas as linhas 11, 12 e 13.

No total, as três linhas contam com 2.477 funcionários.

A CPTM também opera a linha 10-turquesa, além de ter cedido mais de 400 funcionários para operar a linha 17-ouro do metrô, inaugurada em março.

“Não faz sentido falar só em funcionários das linhas 11, 12 e 13 da CPTM porque daqui a 90 dias não vão mais existir essas linhas da CPTM. Tudo vai ser da Trivia Trens. E hoje, se você tira os servidores da linha 17, ela para”, diz Luiz Barbosa Neto Júnior, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil.

Diante do impasse, o desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, vice-presidente do TRT-2, propôs uma “cláusula de paz” para encerrar a greve.

O magistrado sugeriu que o governo incluísse no projeto de lei também os 2.171 funcionários da linha 10-turquesa, que não foi concedida à iniciativa privada. Neto também incluiu “atuais funcionários da CPTM”.

Caso a proposta seja rejeitada pelo sindicato, o magistrado também aumentou a multa diária para R$ 5 milhões caso 90% dos funcionários das linhas não trabalhem em horário de pico, e 70% nos demais horários.

Ele também propôs o cancelamento das multas de R$ 400 mil por dois dias de greve caso o sindicato aprove a proposta em assembleia.

Inicialmente, os advogados do governo disseram que não poderiam aceitar a proposta da Justiça. O desembargador então estipulou 15 minutos de pausa para que a gestão Tarcísio fosse consultada. Em seguida, um dos advogados afirmou que o governo aceitava a proposta por conta da gravidade da situação, com prejuízos à população.

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu manter a greve por tempo indeterminado em assembleia geral na noite desta terça-feira (4).

Em nota, o sindicato afirmou que fez uma nova tentativa de negociação com o governo estadual, mas não recebeu uma garantia concreta, por escrito, de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM, mesmo com a concessão dos ramais à iniciativa privada. Essa é a principal reivindicação da categoria.

“A categoria destaca que o movimento tem como objetivo defender os direitos dos ferroviários e garantir segurança aos milhares de profissionais que dedicaram suas carreiras ao transporte público paulista”, diz nota da diretoria do sindicato.

Já o governo estadual afirmou que a decisão de manter a greve é injustificável e impõe prejuízos graves a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário.

Segundo o governo, dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026 na CPTM, 2.171 seguem na linha 10-turquesa e os demais fazem parte do plano de realocação que abrange Metrô, Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) e outros órgãos.

FUNCIONAMENTO DAS LINHAS

Linhas operando normalmente

  • 1-azul
  • 2-verde
  • 3-vermelha
  • 4-amarela
  • 5-lilás
  • 15-prata
  • 7-rubi
  • 8-diamante
  • 9-esmeralda
  • 10-turquesa
  • 13-jade

    Linhas com funcionamento parcial

  • 11-coral: os trens estão circulando entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. O percurso entre as estações Guaianases e Estudantes é atendido pelo sistema Paese de ônibus em frente às estações.
  • 12-safira: os trens estão circulando entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. O percurso entre as estações Engenheiro Goulart e Calmon Viana é atendido pelo sistema Paese de ônibus em frente às estações.

    Paese
    A CPTM acionou 195 ônibus do sistema Paese, sendo 95 para atender os passageiros da linha 11-coral, 90 para os passageiros da linha 12-safira e dez para os da linha 13-jade.

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