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Brasil

Justiça inicia audiências sobre tragédia de Brumadinho após sete anos

Audiências de instrução começam em fevereiro na Justiça Federal de Belo Horizonte, com possibilidade de julgar 15 réus pelo rompimento da barragem que matou 272 pessoas.

Redação Jornal de Brasília

25/01/2026 8h54

brumadinho

Divulgação/Corpo de Bombeiros

Sete anos após o rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que resultou na morte de 272 pessoas, a Justiça Federal de Belo Horizonte inicia, a partir de 23 de fevereiro, as audiências de instrução do processo criminal. A expectativa é que, até maio de 2027, sejam ouvidas vítimas, testemunhas e réus, podendo levar 15 pessoas a julgamento em júri popular. Dentre os réus, estão 11 ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale, além de quatro empregados da empresa alemã TÜV SÜD, responsável pela certificação da barragem.

O depoimento de Nayara Porto, viúva de Everton Lopes Ferreira, uma das vítimas, ilustra o impacto duradouro da tragédia. Em entrevista ao programa Natureza Viva, da Rádio Nacional, ela recorda o dia 25 de janeiro de 2019, quando preparava um pudim para o marido, funcionário do almoxarifado da mina, e soube do rompimento pela vizinha. Desesperada, tentou contato sem sucesso e ouviu de um sobrevivente que o local de trabalho de Everton havia sido destruído pela lama de rejeitos.

A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) classifica o evento como ‘tragédia-crime’, destacando que, passados 2.557 dias, ainda não há responsabilizações criminais. A jornalista Cristina Serra, autora de livro sobre o desastre de Mariana, relaciona o caso de Brumadinho a outros incidentes, como o rompimento da barragem de Mariana em 2015, controlada pela Samarco (joint venture da Vale e BHP Billiton), e o afundamento do solo em Maceió (AL) desde 2018, causado pela Braskem. Em todos, não há punições criminais até o momento.

Serra critica a ‘irresponsabilidade’ das mineradoras, que priorizam lucros em detrimento da segurança, e aponta falhas nos órgãos públicos de fiscalização, que dependem de burocracia e documentos fornecidos pelas empresas, sem verificações in loco.

Em resposta, a Vale afirma não comentar o processo judicial em andamento, mas destaca ações de reparação, como a execução de 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral até dezembro de 2025, incluindo recuperação socioambiental, abastecimento hídrico e diversificação econômica na região. A empresa também investe na segurança de suas barragens.

A Samarco, por sua vez, reafirma compromisso com as vítimas de Mariana por meio do Novo Acordo do Rio Doce, assinado em 2024, com indenizações, construção de distritos e recuperação ambiental em Minas Gerais e Espírito Santo.

Neste domingo, a AVABRUM promove, às 11h, um ato em memória das 272 vítimas, no Letreiro de Brumadinho, na entrada da cidade pela rodovia MG-040.

Com informações da Agência Brasil

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