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Brasil

Justiça de SP mantém preso por furto jovem que teve testa tatuada à força

Homem que teve testa tatuada à força em 2017 tem prisão preventiva decretada após furto em UBS

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 14h33

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

PAULO EDUARDO DIAS
FOLHAPRESS

A Justiça de São Paulo manteve preso Ruan Rocha da Silva, 25, detido na terça-feira (27) por guardas-civis municipais de Diadema, no ABC paulista, após invadir uma Unidade Básica de Saúde e furtar uma lavadora de alta pressão.

Em 2017, ele ganhou notoriedade nacional após ser torturado e ter a testa tatuada à força com a frase “eu sou ladrão e vacilão” durante uma suposta tentativa de furto de bicicleta em São Bernardo do Campo.

A prisão em flagrante desta semana foi convertida em preventiva, ou seja, sem prazo para terminar. A decisão ocorreu durante audiência de custódia nesta quarta-feira (28). Ele deve ser encaminhado para um Centro de Detenção Provisória. A defesa não foi localizada pela reportagem.

Segundo o relato dos guardas para policiais civis, eles foram acionados via rádio para atender uma ocorrência de invasão à Unidade Básica de Saúde Jardim Casa Grande envolvendo um homem vestindo colete laranja.

Ao chegarem ao local, encontraram a UBS fechada, mas com o alarme disparado. Pacientes que aguardavam do lado de fora relataram ter visto um homem deixando o local carregando uma lavadora de alta pressão.

Os guardas deram uma volta no quarteirão, acessaram os fundos da unidade e encontraram Silva na rua portando o equipamento. Ele foi identificado pelo aplicativo Muralha e, ao ser questionado, confessou ter furtado o objeto de um armário do posto de saúde. Sua defesa não foi localizada pela reportagem nesta terça-feira.

Aos policiais, Silva contou que pretendia revender o equipamento para conseguir dinheiro e comprar crack. O delegado estipulou fiança de um salário mínimo, que não foi paga. Silva foi encaminhado para a carceragem da delegacia.

A primeira passagem de Silva pelo sistema prisional ocorreu em fevereiro de 2019, quando foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Bernardo do Campo após furtar um celular LG K10 e R$ 20,30 de duas funcionárias de um pronto-socorro. Na ocasião, ele disse à polícia que procurou abrigo no hospital para fugir da chuva e confessou o crime.

Silva foi condenado a 4 anos e 8 meses de prisão e cumpria pena em regime semiaberto. No entanto, fugiu em 21 de outubro de 2019, sendo recapturado um dia depois.

O homem já foi detido outras vezes por furto. Ele também já passou por clínica para tratamento de dependência química, além de um processo para remoção da tatuagem na testa.

TATUAGEM FOI FEITA SOB TORTURA QUANDO JOVEM TINHA 17 ANOS


Dois homens foram presos no dia 9 de junho de 2017 sob suspeita de tatuar uma frase no rosto de Silva, que tinha 17 anos na época.

O tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, 27, e seu vizinho, o pedreiro Ronildo Moreira de Araújo, 29, foram presos e indiciados por suspeita de tortura.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, os dois confessaram o crime.

De acordo com o boletim de ocorrência, os dois homens cometeram o crime depois que o “adolescente tentou roubar uma bicicleta”. Essa suposta tentativa de roubo não foi confirmada pela polícia.

A tortura ao adolescente foi gravada com um celular e o vídeo circulou em grupos nas redes sociais.

A família do adolescente acionou a polícia após reconhecê-lo nas imagens. Segundo o relato da família aos policiais, o jovem era usuário de drogas.

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