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Brasil

Júri condena réus a até 40 anos por assassinato de Mãe Bernadete

O Tribunal do Júri em Salvador sentenciou dois acusados pelo crime contra a líder quilombola, ocorrido em 2023 no Quilombo Pitanga dos Palmares.

Redação Jornal de Brasília

15/04/2026 11h43

mulheres negras participantes do festival

Foto: Alberto Lima/Divulgação

O Tribunal do Júri em Salvador condenou, na noite de terça-feira (14), dois réus pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. Arielson da Conceição Santos, apontado como o executor do crime, foi sentenciado a 29 anos e nove meses de prisão. Já Marílio dos Santos, considerado o mandante, recebeu uma pena de 40 anos, cinco meses e 22 dias de reclusão, embora esteja foragido apesar de ter advogado constituído.

Ambos foram condenados por homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. O julgamento ocorreu após dois dias de sessão no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, graças a uma decisão do Tribunal de Justiça que desaforou o processo para garantir imparcialidade.

O crime aconteceu em 17 de agosto de 2023, quando Mãe Bernadete, de 72 anos, foi morta com 25 tiros dentro de sua casa no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador. Homens armados invadiram a comunidade, mantiveram familiares reféns e executaram a ialorixá.

Mãe Bernadete era uma das lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e uma voz ativa na defesa do território, na luta contra o racismo e na busca por justiça pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, assassinado em 2017 por defender os mesmos ideais.

A ialorixá denunciava frequentemente ameaças e integrava o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A Anistia Internacional celebrou a condenação em nota, destacando-a como um avanço em um contexto de altos índices de impunidade contra defensores de direitos humanos no Brasil. No entanto, a organização enfatizou a necessidade de responsabilizar todos os envolvidos, incluindo os três denunciados que ainda aguardam julgamento: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último também acusado de ser mandante.

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