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A estudante Alana Anísio Rosa, 20, que foi esfaqueada ao negar pedido de namoro de um rapaz em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, recebeu alta hospitalar na manhã de hoje após passar 28 dias internada.
Alana deixou o hospital em uma cadeira de rodas e ainda está com os dois braços enfaixados. Vídeo publicado pela mãe dela, Jaderluce Anísio de Oliveira, mostra que a jovem tem marcas de perfurações nos braços, região onde foi mais golpeada pelo suspeito.
Estudante foi aplaudida pela equipe médica ao sair do Hospital e Clínica São Gonçalo. Do lado de fora da unidade de saúde, pessoas vestidas de branco aguardavam sua saída e fizeram pedidos por justiça.
Mãe de Alana falou em “renascimento e milagre” vivido pela filha. “[Hoje é] o dia do renascimento do amor da minha vida. Foram dias de espera e angústias, mas Deus deu a vitória”, disse Jaderluce nas redes sociais.
Jaderluce afirmou que agora está “com o coração tranquilo” após a filha deixar o hospital. “Só agradecer porque a gente venceu. Agora é uma nova batalha por justiça para a minha filha, por todas nós, para acabar com esse negócio de feminicídio”.
O principal suspeito do crime, Luiz Felipe Sampaio Cabral, está preso. Ele vai responder por tentativa de feminicídio.
O UOL não conseguiu localizar a sua defesa. O espaço segue aberto para manifestação.
Alana foi esfaqueada por Luiz Felipe dentro da casa onde mora com a mãe. O crime aconteceu em 6 de fevereiro, após uma série de investidas do homem que foram recusadas pela jovem.
O agressor e a vítima se conheceram na academia no ano passado. Desde dezembro de 2025, Luiz Felipe tentava engatar um relacionamento com Alana, que não correspondeu. Ao recusar os convites para sair, a jovem afirmava que não tinha interesse em namorar por estar focada nos estudos.
Em fevereiro, o suspeito invadiu a residência da vítima e a atacou. A maioria das facadas atingiu a jovem na região dos braços, do pescoço e do rosto.
Mãe foi quem socorreu Alana. Jaderluce chegou em casa minutos após o ataque e encontrou a filha gravemente machucada. “Se eu não chego em casa, ia encontrar minha filha morta”, disse.
Alan foi socorrida em estado grave e precisou ser colocada em coma induzido por mais de uma semana.
Durante o período de internação, ela também precisou de aparelhos para conseguir respirar. Agora, depois da alta hospitalar, Alana focará na recuperação e dará continuidade aos estudos, explicou a mãe.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 -Central de Atendimento à Mulher-e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e através da página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses.