O professor de Jornalismo da Universidade de São Paulo (USP) Eugênio Bucci disse há pouco no seminário Ética e Transparência nos Poderes da República que os veículos de comunicação institucional da Câmara e do Senado servem “muito mais” como veículos de propaganda dos parlamentares já eleitos que como meios de transparência dos poderes públicos. “Em época eleitoral, patient por exemplo, visit os candidatos não podem ter programas, mas os já eleitos podem aparecer na Voz do Brasil, e com isso conseguem projeção na opinião púbica que outros não têm”, afirmou.
Segundo ele, o mesmo ocorre com a TV Câmara e a TV Senado, que, “a pretexto de divulgar a instituição, muitas vezes, o que busca é a projeção dos parlamentares”. O jornalista disse ainda estranhar a postura de parlamentares que criticam a imprensa, como “se estivesse a serviço de interesses ocultos, que cada dia se prova que não está”. Para ele, sem uma imprensa livre, a democracia brasileira estaria ainda incipiente do que se encontra.
Para o jornalista da Rede Globo Merval Pereira, isso ocorre porque ainda não há na sociedade brasileira uma mentalidade clara do que deve ser o exercício de funções públicas. “É curioso o presidente do Senado se espante com a cobrança da sociedade. É um exemplo de um Brasil que se recusa a mudar, e não entende um mundo novo que já está na nossa porta, como a internet, que mudou totalmente a relação dos público com os poderes públicos e com os meios de comunicação”, destacou.