No futebol, uma das razões apontadas para o mau rendimento da Espanha em competições de seleções é o alto número de atletas estrangeiros em seu campeonato nacional – o que inibiria o surgimento e a manutenção de revelações locais. No vôlei, isso também acontece, só que o país em questão é outro: a antes poderosa Itália.
A forte internacionalização do Campeonato Italiano de vôlei foi apontado como o principal motivo para a queda da seleção do país neste Mundial de Vôlei masculino, no Japão. Teoricamente uma equipe favorita em qualquer torneio que dispute, a Itália foi apenas a quinta colocada em solo nipônico.
Novo técnico da seleção portuguesa, o brasileiro Jorge Schmidt apontou que a performance italiana no Japão não foi de todo surpreendente, e que a situação pode ser revertida para as próximas competições. No entanto, isso passa por uma mudança de postura em relação ao campeonato local.
“A Itália está pagando o preço, mesmo que momentâneo, de importar jogadores. Isso complica a manutenção e até a criação de atletas dentro do país. Mas os italianos estarem fora do pódio é uma situação normal”, disse o técnico.
Para o técnico Ricardo Navajas, a solução passaria por uma maior controle na importação de atletas. Desta maneira, o país poderia iniciar um processo de renovação e fortalecer a equipe nacional. “Enquanto a Itália liberar para que todo mundo jogue lá, a seleção deles vai continuar fraca. Não tem espaço lá para o jogador italiano”, afirmou.
Sem a força da Itália, o Mundial acabou sendo protagonizado por equipes que inicialmente não tinham tanto destaque, como a França e também alguns países do centro e do leste europeu. No entanto, para o técnico Renan Dal Zotto, todos estes times estão basicamente no mesmo nível.
“Na ausência de equipes como a Itália e a própria Rússia, o espaço foi aberto para que outros times surgissem. Polônia, Sérvia e Montenegro, Bulgária, estão todos no mesmo nível. Só o Brasil está um degrau acima”, declarou.