Tendo em vista a modernização do asfalto da pista de pouso dos aeroportos brasileiros, o engenheiro Mario Tinen, da Infraero, avaliou a possibilidade de utilizar a mesma tecnologia da pista de Interlagos, autódromo que recebe o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.
Para testar o asfalto do circuito paulista, Tinen, acompanhado de técnicos do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas –, utilizou o Mu Meter, um aparelho que mede a aderência da superfície.
Para os aeroportos, o coeficiente mínimo de aderência do asfalto deve ser de 0,50 (quanto maior o número, mais aderente é a superfície). De acordo com o teste, o índice de aderência da pista de Interlagos é de 0,56, que aumenta para 0,63 na medição feita fora do melhor traçado para o circuito – por ser menos emborrachado, é menos liso e mais aderente.
”A primeira impressão foi positiva. O asfalto está ótimo. Os testes e futuros estudos revelarão agora se ele, realmente, pode ser adequado às condições de um aeroporto cuja utilização é bem maior do que a do autódromo”, atestou Tinen.
Pedro Luis Nascimento, chefe de manutenção da equipe do Grande Prêmio, comemorou a avaliação positiva do engenheiro da Infraero. “É o resultado do trabalho que realizamos na preparação da pista. O fato de a Infraero cogitar do uso da mesma tecnologia de Interlagos para aplicação em aeroportos comprova que estamos no caminho certo”, analisou.
Os resultados obtidos no teste serão analisados pelo IPT. Para o engenheiro-chefe do GP do Brasil, Luis Ernesto Morales, a análise ajudará o desenvolvimento da tecnologia do asfalto no futuro.
“Nós teremos muito mais informações para fazer as correções que serão necessárias com o tempo”, destacou. Para Luis Ernesto, há muita semelhança entre a tecnologia utilizada nas pistas de pouso e a das pistas de F1. “Um avião decola, mais ou menos, com a mesma velocidade de um carro de F1. Portanto muitas das condições têm que ser parecidas”, afirmou.