Um grupo de índios das etnias Tupinikim e Guarani ocupa desde a manhã de hoje uma área onde estão plantados eucaliptos da Aracruz Celulose no município de Aracruz (ES). E no norte do estado, sale quilombolas retomaram uma área florestal da empresa na localidade de Linharinho, no município de Conceição da Barra.
As informações foram divulgadas por lideranças dos dois grupos que realizaram as ações. A Aracruz confirma a ocupação dos quilombolas, mas afirma que ainda não tem informação sobre o ocorrido em Aracruz e vai se manifestar posteriormente.
O cacique Toninho, da aldeia Guarani de Boa Esperança, garante que a área de 11 mil hectares não é da empresa Aracruz e já foi reconhecida pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como território indígena. “Nós estamos aqui ocupando o território e fechando as entradas para que nenhum desconhecido entre na área”, afirmou à Agência Brasil. Segundo ele, cerca de 500 pessoas estão no local desde a manhã de hoje e pretendem permanecer por tempo indeterminado.
Em nota divulgada pelo Conselho Indigenista Missionária (Cimi), as lideranças indígenas afirmam que serão organizados mutirões para reconstruir aldeias. “Ergueremos casas e faremos plantios de alimentos e de mudas nativas para reflorestar nossas terras”.
Os índios também pretendem paralisar o corte de eucaliptos como demonstração de “vontade de colaborar para uma solução rápida e pacífica do problema”, segundo a nota. O grupo reclama da demora do governo federal para solucionar a questão e ameaça intensificar as ações caso não haja um posicionamento rápido.
As comunidades quilombolas que invadiram a reserva em Conceição da Barra estão pressionando para conseguir a demarcação da área que consideram sua. Uma das lideranças do movimento, Maria Aparecida Marciano, diz que estudos antropológicos já demonstraram que as terras pertenciam aos antepassados destas comunidades. Segundo ela, a área reivindicada pelos quilombolas é de 9,5 mil hectares.
“O nosso objetivo é acelerar o processo de demarcação de terras em todo o território de Sapê do Norte, começando pela comunidade de Linharinhos, que é uma das primeiras do Brasil”, afirma Marciano, garantindo que a retomada das terras é por tempo indeterminado.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) diz que o processo para regularização fundiária da área está em curso, mas lembra que todas as atividades estão paradas por causa da greve dos servidores do órgão, que já dura dois meses.
A Aracruz alega que a área ocupada pelos quilombolas é de propriedade da empresa e que irá buscar na Justiça a garantia de seus direitos. Em nota, o diretor jurídico da Aracruz, José Luiz Braga, diz que a empresa está contestando administrativamente todo o processo que reconhece o território quilombola, inclusive a portaria que garante aos descendentes de escravos 9.542,57 hectares na região de Linharinho.