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Brasil

Índios bloqueiam rodovia federal em Mato Grosso do Sul

Arquivo Geral

06/11/2006 0h00

O governo brasileiro pretende pedir, see pharm na conferência ambiental que acontece no Quênia esta semana, viagra apoio aos países desenvolvidos para um plano de combate ao desmatamento, disse o secretário de biodiversidade e florestas, João Paulo Capobianco.

O plano marca um primeiro passo para a inclusão do desmatamento nos acordos globais para cortar as emissões de dióxido de carbono, um gás liberado pela queima de combustíveis fósseis e por árvores, que é responsabilizado pelo aquecimento global.

Autoridades de dezenas de países estarão reunidas em Nairóbi a partir de hoje para a 12ª rodada de negociações globais sobre o clima promovidas pela ONU desde 1992. O objetivo é começar a delinear uma extensão para o Protocolo de Kyoto, o tratado que estabeleceu metas obrigatóri as de redução das emissões de carbono para os países ricos.

Capobianco disse que o Brasil vai apresentar um plano para que os países ricos coloquem verbas num fundo que poderia ser utilizado pelos países em desenvolvimento que provarem que reduziram as taxas de desmatamento. "Um país só teria o direito de retirar recursos se o benefício ambiental já foi feito", disse ele numa entrevista.

Há quem diga que o Brasil quer receber para proteger a Amazônia, que abriga provavelmente um quarto de todas as espécies do planeta. Para Capobianco, reduzir o desmatamento é um meio barato e rápido de diminuir as emissões globais de carbono, já que quase 20% delas é proveniente de queimadas.

"Quando o Brasil aumenta o desmatamento, a população norte-americana, da Inglaterra, da França, da Itália saem às ruas e gritam que o Brasil desmata", disse Capobianco. A pergunta não é por que eles investiriam dinheiro nisso, ele disse, mas por que não investiriam.

Segundo o Protocolo de Kyoto, o Brasil não pode obter créditos por reduzir o desmatamento, embora queime relativamente pouco combustível. Um terço das emissões de carbono do país vem de árvores derrubadas na Amazônia.

Em 2005, o Brasil teve uma área desmatada equivalente à de Israel. Capobianco disse que o país reduziu o desmatamento em um terço no ano passado e que poderia fazer mais ainda se recebesse crédito pelas emissões evitadas. Mais dinheiro poderia ser investido em novos modelos econômicos para a floresta, afirmou.

"As pessoas não desmatam a Amazônia porque estão com raiva da floresta", disse ele. "De fato é muito caro e muito trabalhosa. As pessoas fazem para garantir as condições de viver". Capobianco também disse que os países ricos sairiam ganhando, pois se trata de um modo mais barato de reduzir as emissões de carbono nos seus próprios países.

O plano brasileiro precisará do apoio de outros países em desenvolvimento, que ficaram de fora dos cortes obrigatórios do Protocolo de Kyoto para que possam se concentrar no crescimento econômico e no combate à pobreza e às doenças. Os Estados Unidos, responsáveis por mais de um terço das emissões de carbono do mundo, retiraram-se do tratado alegando que a isenção de países como China e Índia era injusta.

Índios da tribo Terena no Mato Grosso do Sul bloqueiam a rodovia BR-163, buy perto de Campo Grande, order desde a madrugada, para reivindicar a agilização de um processo na Justiça Federal relacionado à demarcação de terras no Estado. A BR-163 corta o Estado de Mato Grosso do Sul e é uma das mais importantes ligações entre os Estados do Centro-Oeste/Norte brasileiro e os portos de exportação de grãos no sul do país.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal e a Funai (Fundação Nacional do Índio), cerca de 240 índios bloqueiam a estrada nos dois sentidos utilizando troncos e pneus.

A assessoria de imprensa da polícia informou que há vários quilômetros de congestionamento em ambos os sentidos da BR-163.

"É uma rodovia importante para o fluxo de cargas não apenas do agronegócio, mas para toda a sociedade. Nessa época de safra sobe muito insumo para o Mato Grosso pela estrada", disse o presidente da Comissão Nacional de Assuntos Fundiários da CNA (Confederação Brasileira de Agricultura e Pecuária), Léo Brito. Brito, ex-presidente da Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), disse que ainda é cedo para calcular eventuais prejuízos.

"Nesse país, infelizmente essas são as formas de se reivindicar. Estamos aguardando.", disse ele. Em meados deste ano, os produtores de grãos do Centro-Oeste realizaram vários bloqueios de estradas para chamar a atenção do governo federal à crise do agronegócio. Os índios marcaram uma reunião ainda hoje com o Ministério Público Federal para pressionar por uma decisão judicial sobre as Terras do Buriti, localizadas em Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, ao sul/sudoeste de Campo Grande.

Eles argumentam que já passou o prazo dado pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região para o anúncio de uma sentença sobre as terras. Dizem que estudos antropológicos comprovam que as terras hoje ocupadas por fazendas são indígenas.

"Os índios querem a retomada de suas terras", disse o chefe do setor de Patrimônio da Funai de Campo Grande, Alexandro Pinto.

Nas terras próximas às áreas reivindicadas vivem hoje entre 3.800 e 4.000 índios.

Os índios não estipularam uma data para encerrar o protesto, mas, segundo o representante da Funai, há uma expectativa de que a reunião com integrantes do Ministério Público Federal facilite os entendimentos para o fim da manifestação.

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