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Brasil

Indígenas bloqueiam acesso a aeroporto de Santarém (PA) contra dragagem de rio

“Queria dizer para todos vocês que ninguém sai de Santarém. O aeroporto acabou de ser fechado”, disse o cacique Gilson Tupinambá para os representantes do governo

Redação Jornal de Brasília

04/02/2026 17h41

indígenas bloqueiam acesso a aeroporto de santarém

indígenas bloqueiam acesso a aeroporto de santarém

JORGE ABREU
FOLHAPRESS

Representantes do governo Lula se reuniram, nesta quarta-feira (4), com os indígenas que ocupam há 14 dias a sede da Cargill, empresa do ramo do agronegócio, em Santarém (PA), para discutir o decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários no rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Os indígenas da região do Tapajós, no oeste do Pará, exigem a revogação do decreto, que também abrange os rios Madeira (RO) e Tocantins (TO). Segundo eles, a medida abre caminho para concessões e para a privatização da “manutenção da navegabilidade”, incluindo dragagens.

Sem a resposta efetiva do governo federal, os manifestantes decidiram impedir a saída dos servidores do governo federal do acampamento e bloquearam a avenida Fernando Guilhon, que dá acesso ao aeroporto de Santarém. Com isso, alguns passageiros tiveram que atravessar andando o trecho fechado no protesto.

“Queria dizer para todos vocês que ninguém sai de Santarém. O aeroporto acabou de ser fechado”, disse o cacique Gilson Tupinambá para os representantes do governo. “E vocês vão ficar aqui conosco, comer o que nós comemos, passar o que nós passamos.”

Foram impedidos de sair do acampamento Marcos Kaingang, secretário nacional de direitos territoriais do Ministério dos Povos Indígenas, Pagu Rodrigues, diretora de direitos humanos da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas, e Marcelo Fragoso, chefe de gabinete da Secretaria-Geral da Presidência.

Os representantes declararam, durante a reunião, que as reivindicações seriam levadas aos titulares das pastas, que não compareceram. Por outro lado, os indígenas não aceitaram as propostas sem acordo e exigiram uma ligação com o presidente Lula, o que não ocorreu.

O projeto de hidrovias já foi alvo de protestos na COP30, conferência do clima das Nações Unidas realizada em novembro em Belém. Na ocasião, as ministras Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas, e a Marina Silva, de Meio Ambiente, afirmaram que a consulta prévia com as comunidades seria feita. Contudo, a promessa não foi cumprida.

A reportagem entrou contato com o governo federal, que não se manifestou até esta publicação.

“Estamos aqui ocupando há 14 dias a empresa internacional americana Cargill. Agora nós estamos, nesse momento, fechando aqui o aeroporto de Santarém, no estado do Pará. Aonde chega muito turismo, só para tirar foto, tomar banho, mas não sabe o que problema que nós estamos enfrentando”, disse Alessandra Korap Munduruku, liderança indígena da região.

“O presidente assinou um decreto onde privatiza três rios, o Tapajós, o Tocantins e o Madeira. E ainda por cima saiu o edital onde facilita a dragagem do rio Tapajós. Então, a gente não pode mais ficar parado”, afirmou também.

Em nota à Folha de S.Paulo, a Cargill disse que respeita o direito à manifestação e que cumpre as leis brasileiras. “A pauta apresentada é um tema sobre o qual a empresa não tem ingerência”, afirmou.

Ainda segundo a empresa, a ocupação não ocorre em uma área de operações da Cargill e, sim, em frente à portaria de caminhões, impedindo o fluxo de veículos no terminal.

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